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“Ainda estou aqui”: 5 importantes reflexões psicológicas

Desde a estreia nos cinemas brasileiros em 7 de novembro de 2024, o filme Ainda estou aqui repercutiu de forma positiva no Brasil. Dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres e Selton Mello, a obra tem sido amplamente elogiada pela crítica, fator que proporcionou à Fernanda o troféu de melhor atriz no Globo de Ouro no dia 5 de janeiro, em Los Angeles. Nesta semana a obra garantiu a participação na mais importante premiação do cinema, o Oscar. Atores, equipe técnica e o país comemoram as indicações de melhor atriz, melhor filme estrangeiro e melhor filme na edição de 2025.

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Mais do que uma obra artística

Além da qualidade técnica e artística, o filme se destaca também por outros motivos, como a forma sensível como aborda aspectos psicológicos universais. Baseada no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, a trama se passa durante a ditadura militar no Brasil dos anos 1970 e acompanha a família Paiva após o desaparecimento de Rubens, levado pelos militares. Segundo a doutora em psicologia pela PUC-SP, Blenda Oliveira, é possível destacar alguns aspectos psicológicos essenciais retratados no longa.

Homem, mulher e duas crianças abraçadas em fundo azul
Reprodução/Google “Ainda estou aqui” é adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva

1 – O processo do luto e aceitação da perda

A obra explora com sensibilidade as reações à ausência de um ente querido, mostrando a complexidade do luto. Assim, Eunice Paiva, mãe da família, enfrenta a dor de perder Rubens, às vezes em momentos de resistência e outros de fragilidade. Nesse sentido, o filme mostra as diferentes formas de viver o luto, sendo uma etapa bastante dolorosa e muito individual.

2 – Preservação da memória e identidade

A preservação de objetos, cartas e lembranças emerge como forma de manter Rubens presente, por exemplo. Esses símbolos são representações poderosas do elo entre passado e presente. Dessa forma, a obra nos faz questionar e refletir sobre o papel das memórias na formação da identidade dos personagens e como essas recordações ajudam a lidar com a ausência.

3 – Resiliência e superação

Mesmo diante do trauma do desaparecimento do pai e marido, os personagens lutam para reconstruir suas vidas. “A busca por significado no meio do sofrimento é um aspecto recorrente que contribui para o desenvolvimento psicológico dos personagens. E, de certa forma, a forma como Eunice busca lidar com o luto é muito emocionante, pode inspirar outras pessoas mesmo em contextos diferentes”, afirma Blenda.

4 – Rede de apoio

A solidariedade entre os membros da família e amigos é um dos pilares do filme. Assim, Blenda ressalta que as interações e as conexões emocionais são importantes no processo de cura. Para ela, ter uma rede de apoio é fundamental para compartilhar sentimentos e enfrentar o vazio de uma perda.

5 – Dualidade entre isolamento e interação

Outro aspecto psicológico presente no filme é a oscilação entre o desejo de isolamento e a necessidade de conexão. Ao mesmo tempo que a pessoa precisa de afastamento social, também deseja o conforto de uma presença conhecida. Blenda destaca que esses momentos “refletem os conflitos internos que acompanham situações de dor emocional. Aqui, cabe lembrar que não há receita e a contradição de sentimentos é comum, principalmente num momento de dor.” Ela também reforça que acolher e vivenciar as emoções é fundamental para superar os desafios.

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Ana Paula Figueiredo

Jornalista formada pela Unisinos, pós-graduada em Gestão da Comunicação Digital e Mídias Sociais pela UniRitter. Atua desde 2007, com experiência em redação impressa de jornal e revistas, produção de conteúdos segmentados de branded content, e cobertura de feiras na área de design, decoração e arquitetura, como CASACOR, Mostra EliteDesign e Feira Internacional de Fornecedores da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis (Fimma Brasil). Fascinada por literatura, filmes, séries, gatos, café e escrita.

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