Chega dezembro e a temporada de festas de final de ano, e muitas vezes tendemos a pensar que todo mundo come o mesmo que está no nosso jantar ou ceia. Mas, é só visualizar os stories nas redes sociais de amigos e colegas que, constatamos que não é assim. Mesmo dentro do mesmo país, os pratos e sobremesas são bem diversificados.
E se no Brasil já há uma grande variação, assim as tradições gastronômicas em outros países também surpreendem pelas histórias e simbolismos. É o que explica, a seguir, o chef Will Peters, do Saza Cozinha, de Curitiba (PR), sobre as culturas e celebrações do período.
Mais do que sabor, os pratos contém histórias
Para o chef, a gastronomia está muito associada às histórias diversas. “Quando analisamos o que cada país coloca na mesa em dezembro, entendemos mais sobre suas memórias, seus ancestrais e seus valores. Entendemos como as famílias pelo mundo celebram essa data. É um mapa cultural feito de sabores e sotaques”, destaca.
Como os países celebram as datas
Brasil
Não é novidade que no Brasil há muita mistura de saborese tradições. Assim, conforme Peters, o país se destaca pela fusão das influências europeias e ingredientes tropicais. Dessa forma, é muito comum ver a mesa composta de peru, farofa, salada de maionese, além de frutas como abacaxi, uvas, manga e cerejas frescas. “O Brasil tem uma mesa única: acolhedora, plural, afetiva e cheia de sabor. É um dos países que mais mistura tradições com liberdade criativa”, afirma.
França
No país da Torre Eiffel, a sobremesa tradicional é a Bûche de Noël, que trata-se de um rocambole decorado como um tronco de madeira, e traz assim a representatividade do costume antigo de queimar toras no inverno. A simbologia tem relação com a purificação e boa sorte. “A França é o berço da alta confeitaria, e a Bûche traduz isso perfeitamente. É técnica, história e estética num só prato”, destaca o chef.

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Itália
O panettone não é cobiçado só no Brasil. Criado em Milão, o panettone é, aliás, considerado um símbolo global do Natal, sendo essencial nas mesas italianas. Outra iguaria também conquistou lugar de destaque nas tradições: o tortellini in brodo. A sopa é prato indispensável em regiões como Emilia-Romagna: “Na Itália, a comida de dezembro une família. São pratos que reforçam o aconchego e a memória afetiva.”

Alemanha
Por lá, o que não pode faltar na mesa festiva é o stollen, um pão doce recheado de frutas secas, marzipã e especiarias. Além disso, o sabor remete à espiritualidade e aos mercados de Natal que atravessam séculos. Visualmente, até lembra o panettone brasileiro na versão sem chocolate. Outra iguaria favorita dos germânicos é o pretzel, decorado com açúcar e especiarias.

Austrália
A temporada de festas de fim de ano é quente no hemisfério sul. Assim, os australianos priorizam uma ceia leve e com frescor. Os pratos principais valorizam os frutos do mar, e para a sobremesa, a famosa pavlova. O doce é feito com uma base de merengue crocante por fora e macio por dentro, e recebe decoração de frutas frescas, como morangos.

Noruega
As festas norueguesas têm um prato bastante tradicional: o lutefisk. Clássico de origem viking, é um peixe seco reidratado e cozido. Como na maior parte das tradições, o doce não pode faltar, assim, por lá o destaque fica por conta de kransekake, um bolo em formato de torre feito com amêndoas. A sobremesa representa prosperidade para o ano seguinte.
México
A culinária mexicana tem a característica dos sabores marcantes – e muitas vezes apimentado. Então, na comemoração do Natal, os tamales de milho fazem parte da tradição gastronômica. Recheados, eles são preparados de forma coletiva nas famílias. A bebida que acompanha a refeição é o tradicional Ponche Navideño. Quente, a bebida é feita com frutas, canela e especiarias.

O chef Peters destaca então, que mais do que celebração e festa, as tradições das festas de final de ano são uma forma de reunir pessoas em volta da mesa. “As festas de dezembro não são apenas sobre comer, são sobre pertencimento. Cada prato, em qualquer lugar do mundo, carrega um significado que atravessa gerações”, conclui.
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