Gastronomia

Como guardar vinho em casa do jeito certo? Veja o que diz um sommelier

Se você aprecia vinhos, com certeza já buscou entender qual o segredo para manter a bebida em perfeita qualidade ao longo do tempo. Então, saiba que a resposta passa obrigatoriamente pelo armazenamento. Segundo o sommelier Jonas Martins, gerente de Operações da MMV Importadora de Vinhos, “um vinho pode ser excelente, de grande safra, mas, se armazenado de maneira inadequada, perde aroma, sabor, cor e, principalmente, toda a sua complexidade”.

Cada vez mais pessoas estão criando seus próprios estoques de vinho em casa, por isso, é essencial entender como fazer o armazenamento de forma correta. Confira, a seguir, as orientações de Jonas Martins.

Wallace Wang / Unsplash

Qual é a maneira certa de guardar vinho?

Não existe uma regra única, diferentemente do que muitas pessoas acreditam. Isso porque tudo depende de um fator primordial: o tipo de fechamento da garrafa. 

A tradição de guardar as garrafas deitadas surge da relação com a tradicional rolha de cortiça. A cortiça, retirada do sobreiro, é uma madeira porosa. Quando se mantém a garrafa deitada, o líquido permanece em contato com a rolha, mantendo-a úmida e inchada. Isso reduz a entrada de oxigênio, permitindo que o vinho evolua lentamente. Mas se a garrafa ficar em pé, a rolha tende a ressecar, aumentando a troca de oxigênio, o que acelera a evolução do vinho e pode causar deterioração precoce.

Já as garrafas fechadas com tampas de rosca (screw caps), rolhas sintéticas ou tampas de vidro dispensam o armazenamento deitado, segundo o profissional. “Esses materiais não se beneficiam do contato com o líquido e mantêm a vedação de forma diferente, podendo, portanto, serem guardados em pé sem prejuízo à preservação do vinho”, explica Martins.

Cada vinho exige um cuidado diferente?

O que determina a forma correta de armazenar o vinho é a vedação utilizada na garrafa. Assim, tintos, brancos, rosés e espumantes podem exigir cuidados específicos de acordo com a rolha. 

Um caso curioso diz respeito aos espumantes: embora sejam fechados com rolhas de cortiça, o armazenamento em pé é permitido — e comum, aliás. Isso acontece devido à pressurização da porque a bebida, assim, a força interna na garrafa garante que não haja troca de oxigênio significativa, seja qual for a posição.

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Truques para manter o sabor e aroma perfeitos

O cenário ideal para enófilos: conservar vinhos entre 12°C e 16°C, em um ambiente sem luz direta ou variações bruscas de temperatura. Da mesma forma, a umidade recomendada fica entre 60% e 70%.

“Isso é suficiente para evitar tanto o ressecamento como a umidade excessiva na rolha e ainda contribui para a conservação dos rótulos — ambientes secos podem fazer com que rótulos descolem e ambientes úmidos podem deformá-los”, reforça Jonas Martins.

A luz, especialmente a solar, é outro inimigo: prefira ambientes escuros ou invista em luzes de LED, que não emitem raios prejudiciais. É importante evitar também vibrações constantes: guardar vinho debaixo de escadas, por exemplo, pode acelerar a evolução da bebida devido ao constante movimento. O ideal é armazenar as garrafas em lugares calmos, silenciosos e protegidos.

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Cuidados adotados pelos produtores

Os próprios produtores de vinho adotam cuidados para auxiliar na conservação: usam garrafas de vidro mais grossas e escuras para proteger a bebida da luz e da variação de temperatura. Muitas vezes, vinhos em garrafas transparentes, especialmente brancos jovens, indicam que aquele exemplar é feito para ser consumido logo após a compra, e não para envelhecer na adega.

Um dado importante, aliás, é que a imensa maioria dos vinhos produzidos hoje no mundo (estima-se que mais de 95%) são para consumo imediato, em um ou dois anos após a produção. Apenas uma pequena parcela, usualmente os rótulos mais caros e elaborados, foi pensada para ser guardada e evoluir ao longo dos anos.

“Em resumo, guarde deitado somente os vinhos com rolha de cortiça natural. As demais opções podem ficar em pé. Priorize locais com temperatura constante, umidade controlada, pouca luz e sem vibrações. Por fim, confira sempre o tipo de vinho que você adquiriu: se for daqueles para consumir jovem, não faz sentido investir tempo (ou dinheiro) em uma guarda prolongada. Afinal, vinho é feito para ser apreciado — de preferência, em boa companhia e no momento certo”, conclui o profissional.

Camila Souza

Jornalista e pós-graduanda em Comunicação de Moda. É editora-executiva em Like Magazine e Jornal Exclusivo. Escreve sobre experiências gastronômicas e turismo. Atua na comunicação desde 2018, com experiência em assessoria de comunicação, marketing de conteúdo e redação. É vegetariana, ama viajar e coleciona projetos pessoais de cultura e gastronomia. Fale comigo em camila.souza@gruposinos.com.br.

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