Com o avanço das tecnologias, nossa vida passa por uma série de mudanças. Entre elas, o surgimento da inteligência artificial. No topo das ferramentas mais conhecidas está o ChatGPT, modelo criado pela OpenAI que simula uma conversa humana e obedece ao comando dos usuários. Essa IA responde perguntas, escreve textos, ajuda a resolver problemas e até pode servir como companhia para desabafos.

O estudo Investigating Affective Use and Emotional Well-being on ChatGPT (Investigando o uso afetivo e o bem-estar emocional no ChatGPT, em tradução livre), da própria OpenAI, analisou 40 milhões de diálogos e percebeu que um grande número de usuários utiliza a ferramenta como forma de desabafar emoções, e não para tirar dúvidas de trabalho. Além disso, a pesquisa comprovou que esses usuários relataram mais solidão quando passam mais de 24 horas longe do bot.
De acordo com Vanessa Maurente, pesquisadora do Programa de Pós Graduação em Psicologia Social (UFRGS) e coordenadora o Núcleo de Ecologias e Políticas Cognitivas (UFRGS), o que se sabe até agora é que o uso da inteligência artificial como terapia envolve uma série de questões sociais e riscos para os seus usuários.
“A sensação de imersão em conversas com as IAs é decorrente de um treinamento de empatia artificial muito comum, na qual a pessoa parece estar sendo acolhida e compreendida, talvez mais e melhor do que comumente no seu convívio social. Mas, de fato, ela não está conversando com ninguém, no sentido de que não há um vínculo terapêutico sendo construído de fato”, elucida.
Quem utiliza o ChatGPT como terapia?

De acordo com Vanessa, grande parte do público que utiliza o ChatGPT como terapia são crianças e adolescentes, pessoas em vulnerabilidade socioeconômica ou pessoas em crise.
- Crianças e adolescentes: pela autonomia e facilidade com que encontram tudo nas redes, além de que é provável que os responsáveis nem saibam dessa interação;
- Pessoas em situação de pobreza: porque a maioria das IAs costuma ter baixo custo se comparada a uma terapia;
- Pessoas em crise: por não sentirem condições de esperar um atendimento ou por estarem em um estado de isolamento.
Disponibilidade ilimitada
Ao contrário de uma relação terapêutica, os usuários podem contar com o ChatGPT a qualquer hora do dia. Por outro lado, a psicoterapia de verdade segue exigindo a presença de alguém que faça uma escuta. “A relação com um terapeuta real é, em muitos momentos, de controvérsia. É importante que o paciente possa decidir silenciar ou simplesmente faltar à terapia. E, mais do que isso, entender que o terapeuta não é alguém que está disponível a qualquer dia e qualquer hora, mas sim em um momento específico”, explica a pesquisadora.
Atendimento humano
Além de prestarem um auxílio automatizado, é importante salientar que as IAS não possuem uma abordagem adequada, principalmente em casos mais graves como com pessoas em risco de suicídio, situação de abuso sexual ou violência doméstica. Nesses casos, o atendimento psicoterapêutico não deve ser negligenciado.
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