A pandemia interrompeu um importante rito de passagem para a Geração Z: muitos jovens deixaram de viver a fase das festas e da vida noturna e, mesmo após a reabertura, passaram a consumir menos álcool do que os millennials. Nesse cenário, os relacionamentos amadureceram mais cedo e o casamento se tornou o próximo passo para muitos, trazendo ao mercado nupcial uma nova consumidora: mais jovem, conectada e com um olhar estético bem definido sobre a celebração que deseja.

Quem observa esse movimento de perto é Camila Paludo, estilista e fundadora do Camila Paludo Atelier, em Garibaldi (RS), que atende noivas de todo o Brasil e do exterior. Para ela, cinco fatores explicam essa transformação e todos impactam diretamente o mercado.
1 — O fim das baladas
“A geração que tem 30 anos viveu a fase das baladas. Essa geração não teve isso e continuou não tendo. A gente não observa mais as meninas usando salto para sair como antes. O que vemos são pessoas namorando mais novas e automaticamente tendo o casamento como próximo passo”, analisa Camila.
2 — O fator religioso
Em segundo lugar, outra força por trás desse movimento é a religiosidade crescente entre os jovens. “Muitas meninas católicas e cristãs têm esse viés e acabam tendo casamentos mais cedo. É um ponto muito importante a se observar nesse mercado”, afirma Camila.
3 — A influência da mídia e das influenciadoras
O terceiro fator é cultural. Influenciadoras jovens que se tornaram mães cedo e com grande visibilidade normalizam e aceleram esse comportamento entre suas seguidoras. “A gente consegue observar muito esse fator das meninas mais jovens casando por esse caminho também”, observa Camila.
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4 — Decoração com tecidos e velas
Sobretudo, a mudança na estética das festas é uma das mais visíveis para quem atua no setor. Drapeados, cortinas e painéis de diferentes texturas estão substituindo os tradicionais arranjos florais, sempre acompanhados de velas em abundância. “Os tecidos têm muita força agora na decoração. A gente sai um pouco das flores e vai para os tecidos e velas. O efeito é de uma intimidade sofisticada”, descreve Camila.
Nas mesas, a estética europeia de banquete ganha força, os formatos alongados ou em S criam uma atmosfera de celebração coletiva que fotografia de forma editorial.
5 — Identidade visual personalizada
Por fim, o casamento como extensão da personalidade do casal se manifesta em cada detalhe, com papelaria, sinalização, comunicação visual com pets, músicas e histórias do casal. Mas também chega ao look da noiva. Camila observa uma forte demanda por véus e capas em formatos diferentes, bordados afetivos e cor, rompendo com o branco absoluto. E até o buquê se reinventa, são menores, inusitados, ou trocados por uma única flor, gesto que a própria Camila fez no seu casamento. “Esse efeito de buquês diferentes está muito em alta. A noiva Gen Z não quer seguir o roteiro, quer escrever o seu”, conclui.
