O universo da infância visto pela ótica das crianças é o tema deste conteúdo (e que me encanta muito). Rica em assuntos e personagens, a literatura nos mostra que uma história contada por uma criança pode fazer sorrir, emocionar, ensinar, gerar reflexões e se tornar inesquecível. Por isso, selecionei oito obras literárias narradas por crianças, sobre as primeiras descobertas e vivências, as aventuras, às vezes inocências perdidas, a visão encantadora dos pequenos.
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O sol é para todos (Harper Lee)
Pelo olhar inocente da menina Scout, O sol é para todos (Harper Lee) conta as férias de verão e as travessuras dela ao lado do irmão Jem e do amigo Dill na pequena cidade Maycomb no início da década de 1930, no sul dos Estados Unidos. A quietude do lugar desaparece quando o pai de Scout e Jem – o advogado Atticus Finch –, decide defender um homem negro acusado injustamente de um crime.
Numa época em que o preconceito social, o racismo e a segregação racial eram muito presentes, a questionadora e sensível Scout traz reflexões e a dura realidade da intolerância e da injustiça, ao mesmo tempo que dá ao leitor momentos de esperança. Publicado pela primeira vez em 1960, O sol é para todos é considerado um dos romances norte-americanos mais importantes do século XX, e mesmo depois de tantos anos, continua a ser uma história atemporal.

Menino do engenho (José Lins do Rego)
Romance de estreia de José Lins do Rego, Menino do engenho foi publicado pela primeira vez em 1932. A obra traz Carlos como personagem principal e narrador de sua própria história, com quatro anos no início do livro. Após uma tragédia em sua família, Carlos passa a viver no engenho do avô até então desconhecido, em um ambiente rural, onde vivencia pela primeira vez brincadeiras, banhos de rio, costumes e tradições diferentes da cidade.

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O meu pé de laranja lima (José Mauro de Vasconcelos)
Publicado pela primeira vez em 1968, O meu pé de laranja lima (José Mauro de Vasconcelos) é um clássico da literatura brasileira e ganhou diversas adaptações para o cinema, televisão e teatro. Na obra, o menino Zezé de seis anos é o narrador. Ele vive em um bairro modesto, na zona norte do Rio de Janeiro, na companhia do pai e da irmã. Mesmo em meio às dificuldades do pai não ter emprego e à dura realidade que presencia, Zezé é uma criança que brinca, se mete em confusão e viaja através de sua imaginação. Nesse sentido, é um livro que combina alegria e tristeza, e talvez seja por trazer essa dualidade de sentimentos que ganhou tanta popularidade ao longo dos anos.

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A vida pela frente (Émile Ajar)
O foco do livro A vida pela frente (Émile Ajar) é as dificuldades vividas por dois personagens de idades completamente diferentes e a amizade que surge a partir da relação entre eles: o menino Momo e a sobrevivente de Auschwitz, Madame Rosa, uma mulher na terceira idade. Ela acolhe a ele e outros meninos em seu apartamento, e a história é narrada por Momo. Publicado pela primeira vez em 1975, a obra virou filme pela Netflix em 2020. Rosa e Momo tem a participação de Sophia Loren no papel de Rosa.

A guerra que salvou minha vida (Kimberly Brubaker Bradley)
Uma leitura que encanta e emociona. Assim é A guerra que salvou minha vida (Kimberly Brubaker Bradley), tendo a menina Ada de dez anos como a personagem central. Publicado em 2015, o título traz a perspectiva da Segunda Guerra Mundial pelos olhos de Ada. Ela vive em Londres, em um pequeno apartamento com a mãe e o irmão caçula Jamie, mas nunca sai de casa. Por ter um ‘pé torto’, a mãe sente vergonha da filha.
Quando os bombardeios de Hitler se aproximam do local de vivência da família, a menina e o irmão são enviados para o interior. Na nova residência, eles experimentam uma realidade diferente, com a ideia de família, quase inexistente em suas vidas. Então, se você gosta de histórias que tragam aquele quentinho para o coração, coloque já essa obra na sua lista de leituras.

O peso do pássaro morto (Aline Bei)
Ainda que não seja totalmente narrado por uma criança, O peso do pássaro morto (Aline Bei, 2017)) traz na primeira parte da história os relatos de uma menina com oito anos, o dia a dia na escola, as amizades, entre outros acontecimentos. Dos oito aos 52 anos, o leitor acompanha a vida dessa menina-mulher, seu cotidiano, alegrias e perdas, sempre em primeira pessoa. Entre os destaques da obra da jovem escritora paulista, a linguagem vai mudando de acordo com a sua idade. Então, no início é perceptível a voz de uma criança, suas dúvidas e inocência.

A guerra que me ensinou a viver (Kimberly Brubaker Bradley)
O livro A guerra que me ensinou a viver (Kimberly Brubaker Bradley), de 2018, traz a continuação da história de Ada, personagem de A guerra que salvou minha vida. Agora, vivendo na companhia do irmão Jamie e de uma guardiã legal, Ada tenta superar os traumas passados. Em meio às adversidades da guerra, ela aprende que há beleza mesmo nos momentos difíceis, amadurece e passa a acreditar numa mudança de vida, sem dor, e na força do amor genuíno.

A história que nunca contei (Kimberly Brubaker Bradley)
Autora das obras A guerra que salvou a minha vida e A guerra que me ensinou a viver, Kimberly Brubaker Bradley, traz em A história que nunca contei (2022) uma narrativa sobre a amizade, a proteção e o acolhimento entre as irmãs Della e Suki. Com a mesma linguagem que encantou nos livros anteriores, esse também tem uma trama comovente, de resiliência e busca pela verdade.

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