Reunir experiências, referências e necessidades em um projeto não é uma tarefa simples. O processo criativo raramente é linear e envolve, invariavelmente, perspectivas pessoais e profissionais. Criar ambientes é uma atividade não só técnica — com softwares, números e desenhos complexos —, mas que exige sensibilidade. E é nesse conjunto de nuances que o arquiteto Cadu Mayresse, da Mayresse Arquitetura, consolidou 20 anos de carreira no segmento.
Com assinatura contemporânea, as produções do profissional partem de um olhar técnico e apurado — marcado por grandes balanços que desafiam a engenharia, materiais robustos e linhas firmes — e, ao mesmo tempo, sensível, ao conectar a natureza aos projetos e produzir espaços pensados para famílias. A dualidade agradou e permitiu que o arquiteto expandisse a atuação para outros pontos do mapa. Atualmente, os espaços estão localizados em diferentes estados brasileiros e países com residências de alto padrão.
No ano em que Cadu completa duas décadas de trajetória na área, o arquiteto celebra não apenas conquistas, mas também a construção de repertório pessoal e a conexão gerada com clientes ao longo de cada etapa. A nova fase é marcada, ainda, com a chegada de Kimi, filho de Cadu e Shana Lima, cofundadora e CMO da marca. Em uma conversa com a Like Magazine, Cadu falou sobre o momento atual, relembrou experiências e deu detalhes sobre o processo criativo.

Confira o bate-papo com Cadu Mayresse
Like Magazine: Como foi o início da sua jornada profissional?
Cadu Mayresse: O início da minha jornada profissional vem com sacrifício, trabalhando muitas horas, aprendendo de tudo um pouco (a extrair o máximo dos projetos, a fazer maquete eletrônica…). O início da jornada foi de aprendizado. Foi quase metade da minha carreira preparando o que tinha que acontecer naquele momento para que a gente tivesse uma fundação sólida para a segunda metade.
Quais pilares da arquitetura estão presentes na sua assinatura?
Eu sempre fui observador e, falando sobre pilares de arquitetura, desde a faculdade eu tinha uma clareza grande sobre o que eu queria fazer e qual arquitetura seria relevante por mais tempo e poderia realmente trazer benefícios para as pessoas que iriam morar nas casas. Então, uma linha contemporânea, luz natural, conexão externa e interna, vegetação, sistemas e sustentabilidade eram itens importantes para o desenvolvimento da minha arquitetura desde o início e, hoje, estão presentes nas casas assinadas pela Mayresse. A grande questão atualmente é que entregamos um atendimento e um produto muito mais completos, onde o bem-estar dos clientes no processo, a clareza sobre os investimentos e o resultado ficam mais latentes. É o que transforma uma casa comum e uma casa de assinatura.
Como essa mudança na família, com a chegada do Kimi, muda a perspectiva em relação à criação de lares?
Com a chegada do Kimi, talvez seja mais clara ainda a importância de um lar seguro, confiável e com qualidade espacial para que as pessoas pudessem realmente interagir com aquele ambiente e mudar a convivência através de uma casa. Já em uma segunda fase bem avançada da carreira, com um escritório consolidado, a presença do Kimi traz mais alegria e vontade de trabalhar por objetivos maiores. Tenho certeza que essa nova fase da Mayresse vai ser ainda mais relevante e bacana.

Em que a escolha por Gramado se conecta com a linha arquitetônica que você trabalha?
Eu acho que a relação de Gramado com a linha arquitetônica tem muito a ver com a natureza e com a tranquilidade. Morar em uma cidade tranquila ajuda a ter paz de espírito e a criar projetos ainda melhores. Acho que Gramado trouxe um ensinamento muito grande em relação a negócios e em como as relações pessoais são importantes para que as coisas aconteçam. Foi uma mudança significativa sair da capital para uma área totalmente natural. A gente consegue enxergar isso nos projetos — essa conexão da arquitetura com a natureza ainda maior e como isso traz benefícios de maneira geral.
Onde você encontra inspiração?
Acho que a principal inspiração da Mayresse vem do estilo de vida meu e da Shana. Ao longo dos últimos oito anos, a gente viajou o mundo inteiro e esteve presente em diversos lugares que associaram inspirações. Eu lembro como se fosse hoje a primeira ida para Milão e como aquilo abriu a mente do que estava acontecendo no mundo. A primeira ida a Dubai, com aquela cidade gigantesca com muita tecnologia. O contraponto de cidades como Londres e Paris, por exemplo, traz uma conexão de arte, de questões mais antigas, que podiam realmente ser relevantes para o bem-estar das pessoas que vivem hoje. Então, esse estilo de vida de viagens e conexão com a natureza e família tem tudo a ver com o desenvolvimento dos projetos da Mayresse e como a inspiração pode ser encontrada em qualquer lugar.
Como é o processo de trazer referências culturais nos projetos?
Nisso, se encaixa também a questão de conhecer o mundo, trazer novas culturas e entender os motivos de porque elementos funcionam em algum lugar e outros não. É muito importante ter clareza de que nem tudo que funciona no deserto funciona em áreas frias e vice-versa. Então, a gente tem que realmente entender culturas, compreender o melhor ponto de cada uma delas e tentar trazer isso com objetividade para os projetos de uma forma que realmente faça sentido para a vida que a gente está levando aqui.
Como a música se conecta à arquitetura na sua vivência?
Eu acredito que a música é o ponto de partida de tudo na minha vida, Por ser um cara criativo, acho que o meu primeiro escape de criatividade foi na música. Participar de uma banda, aprender a tocar instrumentos, gostar de performance ao vivo: isso tudo sempre foi uma coisa muito latente e que realmente foi a base para a criatividade. Essa descoberta abriu minha cabeça para desenvolver com alta criatividade e entender que, culturalmente e a cada época, a música teve suas variações e ligação também com a arquitetura. Acredito que uma pessoa que tem viés criativo sempre vai buscar se expandir criativamente em todas as direções.
