As semanas de moda de outono/inverno 2026 consolidaram uma mudança clara na forma de enxergar a beleza. Entre Nova York, Londres, Milão e Paris, os bastidores revelaram um desejo coletivo por movimento real e uma releitura contemporânea do que é considerado “perfeito”. A temporada celebra cabelos com textura e identidade, apontando para uma estética menos rígida e muito mais autêntica.
Se por muitos anos os cabelos das passarelas foram marcados por acabamentos extremamentes polidos e controlados, agora o movimento aponta para outra direção: fios com presença, textura e styling que assume a vida real. Frizz, volume e imperfeições passam a ser parte do visual, não um problema a ser eliminado.
A seguir, confira as principais tendências vistas nas passarelas de acordo com o beauty artist, Ricardo dos Anjos, partner talent de TRUSS.
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Volume como protagonista nos cabelos
Uma das leituras mais evidentes da temporada é a volta do volume como elemento central do styling. Em diferentes interpretações, os fios aparecem amplificados, com movimento e presença, reforçando uma estética mais expressiva.
Nos desfiles de Michael Kors, Carolina Herrera e Ralph Lauren, o cabelo ganha corpo e assume sua textura natural, muitas vezes com frizz visível e acabamento menos polido. O volume deixa de ser domesticado para se tornar parte da identidade do look. A proposta não é criar penteados exagerados ou estruturados, mas permitir que o cabelo expresse movimento e densidade de forma orgânica, com leveza e naturalidade.
Para Ricardo, essa tendência marca uma mudança importante na relação com a textura do fio. “Durante muito tempo o volume foi tratado como algo que precisava ser controlado. Agora ele volta como protagonista, trazendo personalidade para o visual. O cabelo ganha presença e passa a dialogar mais com o movimento do corpo.”

Frizz intencional
Outra tendência forte nas passarelas é o uso do frizz de forma deliberada, como elemento de styling. Em vez de esconder ou neutralizar o “arrepiado” natural, os hairstylists passaram a explorá-la como parte do acabamento.
Nos desfiles de Erdem e Simone Rocha, em Londres, os fios apareceram com aspecto bagunçado, como se tivessem sido atravessados por uma ventania. O visual transmite uma sensação de espontaneidade, quase como se o cabelo tivesse sido moldado pelo movimento e não pelo controle.
Essa estética reforça o abandono do cabelo excessivamente alinhado e inaugura uma nova narrativa visual menos rígida. “O frizz deixa de ser visto como falha e passa a ser linguagem estética”, explica Ricardo. “Quando bem trabalhado, o frizz adiciona dimensão e modernidade ao visual.”

Cabelos com penteados de “vida real”
Um destaque da temporada são os penteados que parecem ter atravessado um dia inteiro de movimento. Coques e cabelos presos aparecem com fios soltos, pequenas irregularidades e acabamento menos rígido, criando uma estética mais humana.
Essa abordagem apareceu em diferentes passarelas, como Prada, Fendi, Bottega Veneta e Dior, onde os cabelos presos surgem com aspecto levemente desfeito, como se o penteado tivesse se transformado ao longo do dia. A proposta traduz uma beleza mais cotidiana e menos artificial, aproximando o styling das experiências reais. “Existe uma busca muito grande por autenticidade. O cabelo não precisa parecer recém-finalizado o tempo todo”, afirma Ricardo.
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Repartição lateral e elegância contemporânea
Se a temporada abraça a imperfeição em muitos momentos, também há espaço para releituras mais sofisticadas e estruturadas. Um exemplo é o retorno da repartição lateral, que apareceu com força em diferentes interpretações.
Em desfiles como Boss e Luisa Spagnoli, o cabelo surge escovado, com ondas suaves e volume, criando um efeito elegante e cheio de movimento. O styling é finalizado com o clássico topete lateral, revivendo a moda dos anos 90. Já em Saint Laurent, a proposta aparece em uma versão mais minimalista: cabelos presos em coques polidos com repartição lateral bem marcada, equilibrando sofisticação e modernidade.
Para Ricardo, a tendência mostra como pequenos gestos podem transformar completamente o visual. “A repartição lateral tem um efeito imediato de sofisticação. Ela cria volume na raiz, molda o rosto e traz uma elegância atual. É um detalhe simples, mas muito poderoso.”
Mais do que conceitos isolados de beleza, as passarelas da temporada revelam um movimento mais amplo: a valorização da individualidade e da textura real dos fios. O cabelo deixa de ser apenas um complemento do look para assumir um papel ativo na estética, com movimento e personalidade. “Hoje o cabelo precisa refletir quem você é. Não existe mais uma única ideia de perfeição. A beleza moderna está justamente na diversidade de texturas, volumes e acabamentos”, conclui Ricardo dos Anjos.
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