Decoração
Arquiteta propõe um guia prático de adaptação para casa e cuidados aos idosos
A obra aponta soluções para prevenir acidentes com idosos, gestantes e outras fases da vida
Última atualização: 30/06/2026 10:49
Imagine o lugar onde você se sente mais seguro no mundo. Para a maioria de nós, a resposta é imediata: a nossa casa. No entanto, dados do Ministério da Saúde e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS acendem um alerta silencioso: um em cada quatro brasileiros (25%) com mais de 60 anos (idosos) sofre pelo menos uma queda por ano, e a maior parte desses acidentes acontece justamente dentro do próprio lar.
Mais do que uma estatística, esses números revelam que os espaços que habitamos, muitas vezes, não estão preparados para nos acompanhar ao longo da vida. Foi observando essa realidade de perto que a arquiteta gaúcha Adriana Peccin idealizou um guia prático desenhado para transformar residências em refúgios de bem-estar para qualquer idade. No dia 15 de julho ela lança o livro Arquitetura da Longevidade: segurança e liberdade no morar.
Observação nos corredores da pandemia
Especialista com duas décadas de trajetória na arquitetura da saúde, Adriana esteve à frente de projetos em quatro hospitais da Serra Gaúcha ao mesmo tempo durante a pandemia. Assim, como conheceu a pandemia do lado de dentro dos hospitais, como diz, também viu o fluxo intenso de idosos dando entrada com quedas graves decorrentes de tombos domésticos.
A partir das muitas ligações que recebia de famílias na busca por adaptações na casa de seus pais e avós, a arquiteta iniciou uma ampla pesquisa em 2022, com entrevistas a pessoas de diferentes realidades de mobilidade e uniu forças a um time multidisciplinar para a criação do livro, que conta com orientações da médica geriatra Dra. Bruna Cambrussi, da nutricionista Raquel Valduga Milani Sandrin e da cirurgiã-dentista Ana Paula Leite.
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Um livro para todos e diferentes fases da vida
Durante as suas palestras, Adriana deparou-se com um bloqueio cultural: a dificuldade que as pessoas têm de se reconhecerem como idosas. Mesmo ultrapassando os 70 anos, era comum ouvir a plateia comentar: "Essa dica é para minha irmã, não para mim".
Dessa forma, essa percepção mudou o rumo da obra. O conceito de longevidade foi expandido: acessibilidade não é uma reforma de emergência para a velhice, mas um padrão de conforto universal. "Arquitetura da Longevidade não é um livro para idosos. É um livro para gestantes que não conseguem entrar na banheira, para quem tem labirintite, para famílias com bebê e carrinho de compras, para quem passa por uma cirurgia e fica temporariamente sem mobilidade. A acessibilidade precisa ser algo normal, não uma adaptação de emergência”, afirma.
Transformação sem quebra-quebra
Sem a necessidade de grandes investimentos ou reformas estruturais drásticas, o guia propõe uma jornada cômodo por cômodo (quarto, sala, cozinha, banheiro, escadas e áreas externas), oferecendo um prático checklist para que o leitor avalie e ajuste o seu espaço no seu próprio ritmo. Os pilares principais envolvem:
- A escolha adequada dos pisos;
- Como os tapetes soltos representam um dos maiores fatores de risco e como substituí-los ou eliminá-los;
- A desmistificação de que barras no banheiro são exclusivas para idosos, defendendo-as como itens essenciais de segurança para toda a família;
- A iluminação estratégica para prevenir acidentes;
- Como prever o fluxo de circulação em escadas e corredores.
Para conduzir o leitor de forma leve e afetiva, o livro traz uma mentora especial: a Vó Inês. Inspirada na avó da autora, Dona Ignês Pertile (1922–2012), a personagem foi recriada por meio de Inteligência Artificial e ilustra as páginas guiando o público pelos cômodos, mostrando como subir escadas com segurança ou preparar uma receita na cozinha sem riscos.
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