- Variedades -

Mês da mulher: Unidas pelo empoderamento feminino

13.03.2019 por Lucilene Athaide

A participação das mulheres no mercado de trabalho segue menor que a dos homens, aponta a Organização Mundial do Trabalho. O mesmo relatório mostra ainda que a taxa média de desemprego é maior para elas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por sua vez, diz que mulheres estudam mais, mas que recebem 23,5% menos do que os homens. Números que apontam a existência de uma desigualdade ainda longe de ser completamente corrigida.


Durante muito tempo, as mulheres foram consideradas incapazes de alcançar determinadas posições e de ocupar alguns espaços. Isso acontecia, principalmente,devido aos estereótipos que apontavam o que era "coisa de homem" ou "coisa de mulher", apoiado em uma cultura patriarcal já consolidada nas relações sociais.

Gradativamente (e felizmente!) esta realidade está mudando. Neste cenário uma palavra tem se destacado nos debates sobre igualdade de gênero: é o chamado empoderamento!
Este neologismo traduzido pelo educador Paulo Freire e que tem origem no termo inglês “empowerment”, atualmente é usado como sinônimo de "dar poder", mas que também pode ser entendido de outras formas e em diferentes contextos – como é o caso do chamado "empoderamento social". Este assunto é tão importante que virou tema de uma cartilha desenvolvida pela ONU Mulheres Brasil em parceria com a Rede Brasil do Pacto Global, atualizada no ano de 2017. A publicação aponta quais são os princípios básicos para o empoderamento feminino.Temas que vão desde a promoção da educação de jovens meninas ao combate a qualquer tipo de discriminação por conta do gênero e que mostram que promover este empoderamento é uma tarefa de toda a sociedade. Para refletir sobre qual poder é este e para marcar as discussões sempre pertinentes neste mês da mulher, buscamos histórias inspiradoras de profissionais empoderadas e que também ajudam no empoderamento de outras pessoas.
Acompanhe, empodere-se e espalhe poder!

Síndrome da impostora

Já ouviram falar deste termo? São mulheres que se
sabotam e nunca se acham boas o sufi ciente. Vejam o
que algumas famosas falaram sobre o assunto:

“Apesar de ter vendido 70 milhões de discos, sinto que não sou boa nisto”,
Jennifer Lopez.


“Às vezes desperto pela manhã, antes de ir para uma filmagem,

e acho que não posso fazer isto, que sou uma fraude”
Kate Winslet

“Vivo a síndrome da impostora diariamente. O mantra não posso, não consigo, não sou ninguém me pegou de jeito quando me chamaram para trabalhar no Google. Eu entraria já como diretora e me reportaria à ex-presidente global da Time Warner. Detalhe: não falava inglês direito. Coloquei uma distância enorme entre mim e ela, como se fôssemos de planetas diferentes. Resultado: disse não para o Google. Por medo e insegurança  porque as qualificações eu tinha todas." 

Flávia Verginelli

"diretora de produtos e soluções do Google
para a América Latina"(Para saber: três meses depois o
Google a chamou novamente e ela aceitou)

Dicas de livros para pensar sobre empoderamento:

Sejamos Todas Feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

•Clube da Luta Feminista (Jessica Bennet)

•O Feminismo é Para Todo Mundo: Políticas Arrebatadoras (Bell Hooks)

•Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Djamila Ribeiro)

Dicas de perfis no Instagram sobre empoderamento:

@empodereduasmulheres

@tiamaoficial

@asminanahistoria

LINK ÚTIL:

Confira a Cartilha da ONU no site: onumulheres.org.br

Keite Mirela do Amaral
"28 anos, Porto Alegre Advogada, especialista em Administração Pública Contemporânea e graduanda em Ciências Sociais pela UFRGS"

Feminismo

“Eu poderia definir o feminismo como a luta por uma sociedade sem hierarquia de gênero, a luta contra a violência estrutural, o sistema patriarcal, a exploração capitalista e todas as formas de opressão. Porém,o feminismo, a meu ver, não é singular, é plural,são feminismos. É a luta, de nós mulheres, por e para
que todas sejam reconhecidas, de fato, como sujeitos de iguais direitos, independente de estigmas de classe, etnias ou orientação sexual. É a luta para que nenhuma mulher tenha seu corpo,sua psique e sua liberdade violadas pelo simples fato de sermos  mulheres. Luta-se para que, nós mulheres, tenhamos direito pleno sobre nossos corpos e sobre nossas vidas e conquistemos a liberdade para que sejamos quem quisermos ser, e para que ocupemos na sociedade, nas profissões, na política, espaços que são estigmatizados pelo patriarcado como tradicionalmente masculinos.”


Ações diárias

“Com o passar dos anos fui percebendo que a atuação feminista só é efetiva e real se buscarmos incluir mulheres de todas as realidades. Meu primeiro passo foi parar de
falar e escrever ‘as mulheres’, mas, sim, ‘nós mulheres’, pois, como disse Simone de Beauvoir, nós, mulheres, precisamos nos reconhecer como grupo, para que possamos
lutar pela sociedade que desejamos e de fato nos tornarmos empoderadas e empoderarmos outras mulheres. No meu dia a dia, tento conversar, debater, construir um
espaço também de escuta e de inspiração a todas as mulheres que me rodeiam, e em todos os momentos possíveis. O Desperta* me auxilia muito nesse processo, pois ao
conviver com mulheres de diversas idades, realidades e feminismos, aprendi sobre a importância das trocas, que se tornam ainda mais ricas e as lutas mais homogêneas e
possíveis quando a sororidade é real. Além disso, profissionalmente, busco advogar e assessorar mulheres em demandas judiciais que envolvam questões relacionadas à
maternidade, educação e direitos civis em geral e, na Administração Pública, trabalho com políticas públicas desenvolvidas para a efetividade e garantia dos direitos às
mulheres. Como acadêmica, pesquiso sobre a atuação das mulheres na política e a possível despatriarcalização do Estado e, ainda, projeto e desejo atuar somente com
gestões de campanha e governo de mulheres com atuação na política.”

*Coletivo Desperta*

"O Desperta, coletivo feminista, surgiu em 2017 no Vale do Paranhana e hoje também está presente no Vale do Sinos. Ele reúne um grupo de mulheres singulares, vindas de contextos plurais, com a mesma visão. O laço inicial surgiu devido às recorrentes notícias de violência contra mulheres e feminicídios e hoje abrange as mais diversas demandas feministas. “Juntas, lutamos pelo fim da discriminação e violência de gênero em todas as suas formas, construindo um mundo mais justo para essa e futuras gerações”, explica.

Thais Silveira
"34 anos, Porto Alegre
Jornalista"

Feminismo

“É um desafi o constante encontrar um modelo de feminilidade que contemple a nós, mulheres negras que tivemos, por muito
tempo, nossa identidade silenciada pela discriminação de gênero e pelo racismo. Entendo que os efeitos do empoderamento feminino estão diretamente ligados à representatividade das mulheres negras. Precisamos ser vistas e ouvidas como parte da sociedade.”

Ações diárias

“Carrego comigo uma frase da filósofa e ativista Angela Davis de que: ‘Quando as mulheres negras se movem, toda a estrutura política e social se movimenta na sociedade’. Assim, busco provocar mudanças efetivas a partir da representação negra feminina, em diversos espaços: eventos, instituições e na mídia em geral. Promovo, incentivo e apoio a divulgação de histórias de outras mulheres negras, para que se
sintam vistas, ouvidas e inspiradas.”

Revista Pretas

A revista Pretas valoriza a trajetória das mulheres negras, de diversas idades, profissões e histórias de vida, para que ocupem um lugar de fala entre os meios de comunicação e, assim, desempenhem um papel importante como formadoras de opinião.
“Abordamos diversas temáticas, como saúde e bem-estar, comportamento, moda,economia, turismo, entre outros, mas com a representatividade negra feminina em destaque. Percebemos esta potência que é a união entre as mulheres negras e contribuímos para as novas gerações darem continuidade a essas vivências. Nosso principal intuito é fazer com que se sintam incluídas em um contexto positivo, que os meios de comunicação tradicionais não valorizam”, diz.

Veja mais em Facebook: /revistapretas
No Instagram: @pretasoficial 

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