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Ronald Sasson

05.10.2017

Assim é Ronald Scliar Sasson, 50 anos, artista plástico e designer brasileiro que nasceu em Curitiba, mora em Gramado e é cidadão do mundo, visto suas disputadas exposições e premiações recebidas na Europa, Estados Unidos, Canadá e Brasil. De opiniões fortes, ele conta nesta entrevista sobre seu processo de criação (“sozinho e escutando música é perfeito para mim”), a importância dos reconhecimentos que já recebeu e sobre as inspirações, que podem vir de todo canto, mas sempre são permeadas por sua habitual disciplina. “Não existe um ponto de início, ser designer é algo intrínseco à personalidade desde sempre”, define.

O começo
As terras gaúchas foram as primeiras adotadas pelos Scliar após chegarem da Rússia. E foi aqui que o avô de Ronald se apaixonou por uma paranaenese herdeira do setor moveleiro e foi embora. Iniciava-se aí a história de Ronald Scliar Sasson, que nasceu em Curitiba e por lá iniciou sua carreira como artista plástico e os trabalhos como designer na fábrica de mobiliário da família. Mas, há 11 anos ele se mudou para Gramado e se reconectou com o Estado que faz parte de sua história – por aqui seguiu boa parte dos familiares, como os primos famosos e também artistas Moacyr e Carlos Scliar. “Todas as fábricas com capacidade fabril instalada estão no Rio Grande Sul, notadamente na Serra. Desta maneira aliei o trabalho do Estúdio com a proximidade destas empresas. Também pude dar uma melhor qualidade de vida para o meu filho, pois a cidade propicia isso”, frisa ele, que é casado e pai de Manoel, de 14 anos.

Reconhecimento
As peças assinadas por Ronald estão nas principais feiras, galerias, lojas e exposições do mundo. E este reconhecimento veio sendo construído com a disciplina no trabalho e a chegada de grandes premiações como o IF Design Award, que é considerado o Oscar do design mundial. “Percebi que estava fazendo sucesso depois das primeiras premiações e, consequentemente, quando minhas peças viraram itens de exposições mundo afora, alcançando cifras que eu nunca imaginava”, frisa ele, revelando também um desejo: “uma forma de democratizar o design seria estes grandes magazines oportunizarem a fabricação de peças em escala com valores acessíveis. Eu adoraria ser convidado para desenhar uma linha que realmente estivesse em muitas casas.”

O estilo
Ele gosta de criar sozinho, de preferência escutando uma boa música, e acredita que o design é a capacidade de aliar uma solução plástica às necessidades triviais e até mesmo intrínsecas dos objetos. “Também gosto de dar pausas nos meus processos de criação lendo um livro. Curto biografias, pois esse tipo de leitura alimenta minha alma criativa”, pontua. E, ao ser questionado sobre o “estilo Ronald Sasson”, ele é claro ao rejeitar rótulos. “Não possuo um estilo totalmente definido e não tenho limitações estéticas ou plásticas. Mas, claro que o meu traço carrega o DNA dos modernos com a estética nórdica. Posso dizer, se é que isso é um diferencial, que utilizo no máximo dois elementos por projetos.”

Os materiais
As peças de Ronald geralmente trazem materiais nobres como madeira maciça de cerne, couro, metais não oxidáveis e mármore. “Estes materiais possuem características infindáveis”, diz o designer, que ultimamente vem experimentando também o vidro. “Inclusive lancei algumas peças na DW SP 2017, principalmente em objetos e luminárias”. E entre tantas premiadas criações, ele resiste em pontuar a sua preferida, mas entrega: “não gosto de ter que escolher uma específica, pois tenho várias sequências que me agradam em tempos diferentes. Mas uma das minhas favoritas é o banco Kansai.”

Homenagem
No último mês o designer apresentou, na IDA – Feira de Design e Arte, três novas peças: dois mobiliários baseados na arquitetura expressionista alemã e uma orgânica de ponta a ponta. “Erich Mendelsohn, muito antes das propostas concretistas que a arquitetura moderna se baseou, já era mestre no expressionismo alemão, sendo, desde a década de 1920, a real referência criadora e às vezes injustiçado. Tomei como base seu trabalho para a criação de duas peças”, diz ele citando o banco Gart, que faz referência à cidade de Stuttgart, e à poltrona Mass, cujo nome é uma homenagem à esposa de Mendelsohn, a violoncelista Luise Maas – já a poltrona NIN homenageia a escritora francesa Anaïs Nin.

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