Revista Like Magazine

Este site foi desenvolvido com uma tecnologia que este navegador não suporta.
O navegador que você está utilizando está desatualizado. Ele possui falhas de segurança e uma lista limitada de funcionalidades. Você perderá qualidade na navegação em alguns sites.


Escolha um novo Navegador e navegue com mais segurança

Estas são as últimas versões dos navegadores gratuitos mais utilizados.



O guri do Masterchef Brasil

08/09/2017 / Por: Camila Severo

Detalhista, com foco bem definido e dono de uma indefectível franja. Assim é Douglas Holler, 26 anos, o guri de Ivoti que até dois anos atrás nem chegava perto da cozinha e agora conquistou o Brasil ao participar da 4a temporada do MasterChef amadores. Designer de formação, Douglas ficou entre os 15 finalistas do programa da Band e, de volta à região, está decidido a fazer da gastronomia sua profissão. Autodidata, apaixonado por cheesecake e por misturas inusitadas nos seus pratos, ele garante: “me encontrei na cozinha.”

 

JOGO RÁPIDO

Comida preferida: sushi
Prato que mais gosta de fazer: carne de porco e carnes recheadas em geral
O que não come de nenhum jeito: ervilha
O que ainda não comeu e está louco para experimentar: lagosta
Ingrediente indispensável na tua cozinha: especiarias e ervas...
Teu restaurante favorito no Rio Grande do Sul: “gosto do Takeshi, em Novo Hamburgo, e do Koh Pee Pee em Porto Alegre.”

“As pessoas que vão provar minha comida têm que ter em mente que não vou fazer feijão com arroz. Gosto de ingredientes e combinações diferentes, de agridoce... Gosto muito de estudar a cultura de outros países. Quero que meu público seja de pessoas abertas a provarem coisas novas, que não tenham medo da gastronomia e que queiram conhecer todas as dimensões que ela oferece.”

 

ENTREVISTA

Like Magazine - É verdade que você começou a cozinhar há apenas dois anos?
Douglas Holler - Sim! Há uns 7 anos eu comecei a me interessar por reality de cozinha e passei a acompanhar todos no mundo... Eu não cozinhava nada, mas queria participar daquilo, não sei nem o porquê.

 

Quando ocorreu de fato o start?

Douglas - Tinha uma amiga que fazia cupcakes e toda sexta- -feira eu comprava. E ela começou a fazer também cheesecakes e eu achei caro. Na época pensei: não vou gastar este dinheiro, por que eu mesmo não faço? Pesquisei, olhei sites americanos, brasileiros... Montei a receita “perfeita” da versão tradicional, com baunilha e calda de morango por cima, e deu certo. A família amou.

 

E depois?

Douglas - Depois disso pensei: “vou fazer uma janta para os meus amigos”, sendo que eu nunca tinha feito prato salgado. Fiz uma entrada, principal e sobremesa, tudo empratado, pois gosto desta coisa da apresentação, do visual... Deu certo e fui fazendo toda semana um jantar, intercalando entre amigos e família, e fui estudando, comprando livros, sempre focado em participar de um reality e também porque me encontrei quando comecei a cozinhar, descobri minha paixão, vi que era isso que eu queria.

 

Como foi indo para a linha sofisticada, sendo que até dois anos atrás nem teu paladar, nem tuas técnicas eram apurados?

Douglas - Eu compro livros, olho vídeos, pesquiso... Mas não gosto de copiar receitas, gosto de entender as técnicas e explorar as possibilidades dos ingredientes para então criar meus pratos. A gastronomia é tão ampla, especialmente no Brasil, onde temos regiões bem definidas e com ingredientes próprios, que quis levar isso para as pessoas. Gastronomia também é arte.

 

Você fez algum curso ou é totalmente autodidata?

Douglas - O único curso que eu fiz foi um de extensão de sushi. Agora eu estou focando nos jantares e workshops que estou fazendo, para aproveitar o timing. Mas quero sim estudar gastronomia. Eu sei que cozinho bem, tenho habilidades e quero aprimorar meu paladar e minha técnica.

 

Qual a tua memória mais remota da cozinha?

Douglas - Meu pai cozinhava bastante e lembro que, quando eu tinha uns 10, 12 anos, ele me ensinou a fazer arroz. E lembro que todo domingo eu queria comer em casa para poder fazer o arroz.  Acho que ali começou um pouco da minha vivência com a cozinha... Também lembro que, a partir dali, eu comecei a perguntar para meus pais que sanduíches eles queriam comer e montava alguns mais elaborados.

 

Depois que ele faleceu isso ficou um pouco adormecido?

Douglas - Pode ser sim, pois lembro que aos sábados almoçávamos na minha avó e eu a via cozinhando... Não era um interesse de ficar ali a vendo cozinhar, mas tinha aquela coisa boa. Tanto que carreteiro não como mais porque gostava só do que ela fazia. E, além disso, acho que sempre gostei de gastronomia porque, como toda família, a minha também tem suas briguinhas, mas a comida nos unia.

 

Hoje você quer a gastronomia como tua profissão?

Douglas - Não me vejo mais fazendo outra coisa. Esta relação aflorou e é muito forte. Eu gostava do meu emprego, trabalhei 8 anos em um curtume (ele desenvolvia coleções), eu ganhava bem, estava bem, tinha minhas liberdades, mas me sentia empacado ali.

 

Falando em mercado... A gastronomia tem um glamour aparente, mas na realidade é fogo, frio, horas em pé, abdicar de finais de semana. Às vezes não ganha muito... Como está lidando com esta parte menos atraente?

Douglas - Eu sempre digo que gastronomia é muito bom porque estamos cozinhando, podemos usar criatividade, criar coisas novas... Mas, se tu for olhar para as minhas mãos, elas estão todas queimadas, cortadas. E as pessoas às vezes não entendem que, para servir um jantar às 21 horas, estou lá desde as 14 horas. Mas, acho que também tem um outro ponto: muitos pensam em restaurante e acho que neste caso sim há variáveis... Mas eu quero coisas menores, como jantares e almoços com reserva e um número pequeno de pessoas. Neste caso tu pode sim cobrar um pouco a mais porque é algo exclusivo.

 

Para você ser bem-sucedido, quase tão importante quanto cozinhar é ter uma visão de administração ou se cercar de pessoas que tenham... Concorda?

Douglas - Sim. Eu sou muito metódico. A cada jantar que faço tenho várias planilhas: a dos convidados, a lista de gastos, dos ingredientes, quanto cada receita me custou. Sou virginiano e tenho tudo isso muito bem organizado.

 

Vamos falar de MasterChef... Como você entrou?

Douglas - Me escrevi para a 3a edição e não fui chamado. Fiquei com raiva e comecei a estudar mais e mais... Porque funciona assim: a gente precisa mandar um vídeo ensinando uma receita e preencher um questionário bem longo. Na edição seguinte fui chamado, passei por quatro etapas e enfim entrei. Fui conciliando com meu emprego aqui e, quando começou o programa de fato, larguei tudo e fiquei direto em São Paulo.

 

Você entrou na televisão com cerca de 4 mil seguidores no Instagram e saiu com mais de 60 mil. Está uma loucura?

Douglas - Isso é engraçado, pois eu não me sinto diferente ou famoso, mas em todo lugar tem alguém que pede para tirar foto, tem gente que chegou a chorar. Tem os que gritam, ficam eufóricos. É muito legal este carinho, mas ainda é um pouco estranho porque não me sinto diferente do que eu era antes.

 

Não podemos falar do programa sem falar da tua polêmica franja. Recebeu muitas críticas por não prendê-la?

Douglas - Sim. Desde o primeiro programa tinham comentários sobre isso. Claro que quando faço um workshop ou jantar, eu coloco uma bandana, mas, querendo ou não, ali é entretenimento e uma porta para muita coisa, não só gastronomia. E pensei:  ah, aqui é televisão e não vou ficar de qualquer jeito... Mas nas redes sociais tive que brigar várias vezes para lembrar que respeito muito a gastronomia, a comida, o preparo... Chegaram a me chamar de porco relaxado, aí não dá né... Ali era entretenimento, na cozinha não é assim.

 

RECEITA

Risoto de gorgonzola, pera e nozes
*Rende 4 porções

INGREDIENTES

Caldo

• 2 cenouras cortadas grosseiramente
• 1 salsão cortado grosseiramente
• 2 cebolas cortadas em 4 partes
• 1 colher (sopa) de sal

Risoto

• 80g de manteiga
• ½ cebola roxa
• 3 dentes de alho
• 2 xícaras de arroz arbóreo
• 80g de gorgonzola
• 2 peras
• 1 xícara de nozes
• ½ xícara de açúcar
• sal, pimenta e páprica a gosto
• 1 xícara de vinho branco
• água

 

MODO DE PREPARO

Caldo

• Coloque todos os ingredientes em uma panela e acrescente água até cobri-los. Cozinhe por cerca de 50 minutos para reduzir.

Risoto

• Em uma frigideira, derreta a manteiga e deixe esquentar até derreter. Adicione a cebola cortada em cubos, o sal e a páprica. Deixe refogar por 5 minutos, adicione o alho cortado em pedaços pequenos e refogue por mais 2 minutos. Adicione o arroz e cozinhe por 3 minutos mexendo sem parar. Adicione o vinho e cozinhe até ele ser totalmente absorvido.
• Em seguida, adicione 2 conchas do caldo peneirado e mexa até incorporar. Repita o processo até o arroz chegar ao ponto desejado
• Adicione 1 colher de sopa de manteiga e misture. Agora coloque o queijo e misture até derreter.
• À parte, lave e descasque as peras e corte no formato desejado. Em uma panela, coloque o açúcar e ¼ de xícara de água. Quando a cor ficar próxima ao caramelo, adicione as peras e cozinhe até ficarem macias.
• Adicione as peras ao risoto e misture. Quando for empratar, coloque um pouco de nozes cortadas a mão por cima.

Dica do Douglas
Se você não quiser um contraste agridoce tão intenso, basta cortar as peras e adicionar ao risoto sem caramelizar.


 

Compartilhe: