Revista Like Magazine

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Bruxa ou rainha?

08/04/2016 16:54 / Por FundaMental

Dizia um professor de Psicologia que ao atravessar o leito do rio da meia-idade, a mulher tem duas opções: vira bruxa ou rainha. Um dito delicado de entender, até que, ao seu tempo, as fichas vão caindo, uma a uma, a acordar com seu tinido metálico.
 
Para ser rainha tem que se ter passado pelo principado e aprendido a ser princesa feliz. Uma princesa feliz aprende, entre muitas outras coisas, que sua beleza é única e incomparável. Seria uma espécie de dote, uma pedra preciosa. Terá o trabalho de lapidá-la com o objetivo de transformá-la em jóia única. Após tamanho cuidado merecerá obter a coroa da rainha.
 
Entretanto, há princesas que não conseguem enxergar seus próprios dotes, predicados únicos. Comparam-se com donzelas de outros reinos. Por vezes reinos distantes divulgados na TV, nas revistas e jornais. Talvez com
reinados mais próximos, como o do Facebook que escancara a suposta plena satisfação daquelas que se dizem amigas. As princesas que, dia a dia, consultam a balança da comparação, sofrem a dor de não ser o ideal de outrem.
Mal percebem que os critérios oficiais que ditam a definição do belo são, na grande maioria das vezes, falsos e equivocados. Não se pode comparar necessidades, olhos, cabelos, narizes e dimensões físicas. É verdade que todo atributo requer seus cuidados. Mas a beleza está muito adiante do que se pode mensurar. Um gesto, um trejeito com as mãos, a forma de olhar, a entonação da voz. Sutilezas que revelam belezas internas incontáveis, como a capacidade de empatia, por exemplo.
 
As princesas que não elaboram sua própria jóia, cultivam o triste cenário da inveja e não serão coroadas com a vitória da alegria. Viram bruxas a expelir poções mágicas maléficas. Pensamentos, sentimentos, emoções conturbadas lançados contra aquelas que possuem os talentos tidos como melhores. Como o feitiço vira contra o feiticeiro, acabam por sucumbir sobre sua própria suposta feiura.
 
Graças a Deus que as deusas não cansam de inspirar as mortais. Deve ser por isso que a gente encontra pela vida afora verdadeiras rainhas. Jóias que sempre insistem em seguir polindo-se.

 

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É se perdendo que nos achamos

08/03/2016 18:10 / Por FundaMental

A maior piada do verão foi o argentino que esqueceu a mulher no posto de gasolina. Não foi? Foi. O pessoal caiu em cima e fez da chacota outras tantas gracinhas na medida em que paravam para abastecer ou quando o marido queria brincar com a esposa (quero acreditar que era realmente brincadeira!?) e muitos outros deboches com o fato ocorrido.
 
As hipóteses sobre as causas e os porquês deixaram todos muito intrigados. Mas o casamento foi que levou a pior. O machismo que impera na nossa sociedade acaba sempre culpando a mulher por não agradar o marido que estaria justificado do seu feito. Parece normal, mas não é.
 
Foi durante o feirado do carnaval, graças à boa lembrança e associação da Vera, minha mãe, que assisti novamente em sua companhia o divertidíssimo e apaixonante filme italiano Pão e Tulipas (ano de 2000, com direção de Silvio Soldini), onde ocorre cena semelhante. A dona de casa Rosalba (Licia Maglietta) está viajando em uma excursão de ônibus com sua família. Ao parar em um restaurante à beira da estrada, ela é esquecida pelo marido e pelos filhos. Após se dar conta da sua vida um tanto depressiva eis que surge a situação propícia para que pudesse fazer o que sempre quis: conhecer Veneza. Pedindo carona, ela deixa apenas um evasivo recado na secretária eletrônica do marido: "Férias". Mas incidentes transformam a rápida escapada em algo mais duradouro. O que não poderia ser diferente para uma mulher saudável que experimenta a liberdade, a autonomia, a emancipação, o prazer de trabalhar fora de casa, a solidão povoada de afeto e alegria que aos poucos começam a rondar os dias de Rosalba.
 
Sedução ao máximo! Duvido que alguém não teria muita vontade de fazer o que ela fez. Abandonar a culpa materna que a acompanhava nos relacionamentos não apenas com os filhos, mas, principalmente com o marido e dar-se a chance de ser feliz. Enquanto isso, o marido contratava um encanador fanático por histórias de detetive para ir atrás da mulher. Mas Rosalba já foi organizando sua nova vida: arrumou um emprego, dividiu um apartamento com um garçom finlandês, ganhou a amizade da vizinha, voltou a tocar acordeão. Quando o encanador-detetive a encontra, ele também percebe que a vida pode ser muito mais divertida do que parece. E que família tem muito mais a ver com afinidades e afetos do que com laços sanguíneos.
 
Os casamentos precisam ser cultivados com a escuta diária do outro, assim como as famílias. Caso contrário, em tempos de desconexão como este em que vivemos, onde as pessoas estão ligadas nos seus gadgtes e não em quem está ao seu lado, muitos correm este risco. Mulheres e homens ao serem esquecidos nos postos de gasolinas da vida podem ser ameaçados pela possibilidade de uma existência abastecida com combustível aditivado passando a ter muito mais vitalidade, forças e estrada pela frente do que se imagina!

 

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Ilumine-se

07/12/2015 18:22 / Por FundaMental

O que está em cima é igual ao que está embaixo, afirmava Hermes Trismegisto, há milênios no antigo Egito. Verdade atemporal: o que está fora de nós, em níveis mais amplos, reflete aquilo que está em nosso
interior. A recíproca também é verdadeira. O que vive no macrocosmo habita em cada um de nós. Somos feitos dos mesmos elementos físicos, psíquicos e energéticos. Nada existe na face da Terra que não esteja dentro de cada um de nós. Começando pela família, ampliando para a comunidade, cidade, estado, país, planeta. É uma visão sistêmica. Holística. Cada parte revela o todo de que faz parte. E o todo pode ser revelado por uma pequeníssima amostra que lhe constitui.
 
Neste sentido, somos realmente todos um. E se somos todos um, o que dizer deste avalanche de notícias catastróficas que vem assombrando e arrasando com a vida de tanta gente e minando nossos astral? Na visão sistêmica, de alguma forma, você e eu somos responsáveis pelo estado em que se encontra o planeta, inclusive a política nacional. Em palestra de Sri Prem Baba neste final de ano em Porto Alegre, ele presenteou a numerosa plateia de mais de mil pessoas no BarraShoppingSul com palavras simples, ternas e belas, afirmando que existem partes de nós que insistimos em manter no escurinho, mal-iluminadas. São nossos medos que nos tornam reativos.
 
É óbvio que o mundo lá fora só pode ser transformado em um templo de paz quando os cidadãos do mundo a alcançarem dentro de si. Quando cada um de nós tiver coragem de ser simplesmente o que já é. E sendo o que se é, alcançar a auto-realização, até formar uma massa crítica para darmos a virada de consciência.
 
É final de ano e talvez por isso uma nostalgia traz à memória os sons e palavras da música Imagine de John Lennon. Tem proposta mais atual? Alegra e alivia saber que na contramão das notícias catastróficas que prenunciam quase um final de ciclo, tem muita gente atuando como foco de luz, iluminando seus próprios dons, incentivando e vivendo em amor e generosidade, quase sempre em silêncio, longe dos holofotes.
 
Gente que tem coragem de iluminar-se para poder enxergar-se, amar-se em acolhimento. Poderia citar muitas pessoas de nossa cidade. Destaco a própria revista Funda-Mental, responsável por esta página. Porque desde a sua primeira edição, FundaMental dedicou-se a abrir um espaço incentivando esta gente a revelar suas ideias e feitos. Me sinto em casa, quase aconchegada, lendo a publicação porque neste mundo de notícias tão tristes, esta pequena grande revista traz um alento, em conteúdo editorial de primeira qualidade e matérias gostosas de ler. Dicas que dão conforto. Um intervalo bimestral do bem que se multiplica. São 5 mil exemplares e 25 mil leitores absorvendo um conteúdo que leva a bons pensamentos. E pensamentos geram ações que movem o mundo.

 

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Abertura para a metamorfose

04/11/2015 17:17 / Por FundaMental

Quem já não cantou a música do Raul Seixas Metamorfose Ambulante que diz: “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...” É um hit da época hippie que faz sucesso até hoje pela letra atemporal que possui.

Muito bonita a balada porém, na prática, nem sempre estamos dispostos a fazer o que a música propõe: criar uma abertura subjetiva para mudanças e para novas posturas e atitudes frentes as situações que se apresentam. Sem esta disposição para se modificar corremos o risco diariamente de endurecer, de se enrijecer, sem permitir possibilidades de alterações em nossos comportamentos que podem provocar significativas transformações e adequações mais suaves e tranquilas. Isto geralmente é um problema, pois a vida exige uma flexibilidade que lembra o balanço do bambu e não da árvore rigidamente estabelecida na sua posição vertical, presa no chão de maneira imutável e que pouco se mexe com o ar dos dias mais ventosos ou turbulentos.

Esta disposição para a mudança precisa ser construída, precisa se fazer cotidianamente e encontrar eco dentro de cada um com a permissão necessária para modificar pensamentos, comportamentos, sensações e sentimentos. É bem comum que a mudança venha somente a partir de situações de crises, ou seja, aquelas muito necessárias que acontecem quando algo ocorre e não se tem uma amplitude subjetiva que permita dar conta de um jeito mais adequado na situação. Quando é preciso mudar e não tem outro jeito, quando as modificações estão caindo de maduro para acontecer é que as pessoas acabam se permitindo transformar seus modos de ser. Ocorre que é uma mudança quase que imposta e as pessoas precisam forçar uma adaptação que geralmente vem acompanhada de alguns traumas ou imposições mais difíceis de digerir. Ainda mais se a resistência se apresenta dificultando toda e qualquer abertura para as transformações que a vida vai demandando.

Já, quando a metamorfose vai acontecendo no clima da música do Raulsito, a transformação acontece com mais naturalidade, de dentro para fora. Não necessariamente menos intensa mas, talvez mais possível e com uma abertura subjetiva mais interessante para se construir tudo aquilo que a vida exige. Uma postura mais flexível que permite mudanças mais promissoras, que provocam menos prejuízos permitindo que a modificação necessária aconteça e para que aquela velha opinião se renove sempre que for importante para você. Esta tarefa é sua e é intransferível!

*Patrícia Spindler é psicóloga

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O ponto

31/08/2015 19:26 / Por FundaMental

Inesquecível foi a aula do professor que mostrou uma folha branca com um pequeno ponto preto em seu centro, perguntando o que víamos. “Um ponto preto!” Respondemos quase que em coro. Pois foi deste ponto que o mestre deu a arrancada para lição de filosofia, mostrando que a folha branca passou pela percepção em brancas nuvens. Mas o ponto preto que pairava ali, tão solitário e ínfimo, tinha se tornado superpoderoso aos olhos do grupo.
 
Focar o ponto preto seria o mesmo que olhar o precisamos apagar, resolver, mudar. O problema é olhar só para este ponto buscando uma perfeição que não existe. Críticos de quase tudo no mundo, aprendemos, desde muito cedo, a ver o ponto preto na folha de papel.
 
Criticar é apontar pontos pretos sobre folhas brancas. Privilegiar o detalhe em detrimento ao grande quadro. Quase sempre quem critica diz que sua crítica é construtiva. Ora, não vejo como criticar sem destruir. Mesmo que com a intenção de construir algo novo mais tarde.
 
Uma coisa é analisar o próprio erro. Sinal de aprendizado que facilita a caminhada mais adiante. Diferente de auto infernizar-se com o veneno da crítica que mata tudo: projetos, talentos, sonhos. Supervalorizar o ruim e desqualificar o bom. Em geral, quando agimos assim com aqueles que nos rodeiam, ensaiamos primeiro com alguém que mora dentro de nós. Na maioria das vezes, quando pensamos que vamos ser criticados, somos nós, em nossa severidade, a quem condenamos.
 
Quanto a mim, tenho tentado desistir de ser perfeita. Nem mesmo o todo poderoso exigiria isso de um filho seu. Me conformei de que esta é uma missão impossível e de que as possíveis são bem numerosas. Nem mesmo a natureza busca perfeição, mas integridade. Foi uma das lições que aprendi com outro professor que tive, de escrita criativa. Muito mais do que ensinar a escrever, ele demonstrava que é possível pinçar, quase arrancar o ponto positivo, o lado bom, no texto de cada aluno. Sua ação era a de focar o ponto branco na folha preta que, crescido em relevância, poderia auto nutrir- -se, reproduzir-se. E, quem sabe, algum dia, tomar conta de toda a página. Questão de foco. Grande exercício pra tema de casa. Vale para todos os alunos da vida.

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