Revista Like Magazine

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Passa, passa, passara

10/08/2017 19:59 / Por FundaMental

“É bom a gente lembrar que tudo passa. As coisas boas passam e, por sorte, as coisas ruins também passam”, falei instintivamente e talvez para quebrar o gelo quando peguei o elevador junto a uma jovem lacrimejante, acompanhada de sua mãe.

Na semana seguinte, a mãe me encontrou ao acaso e agradeceu. Surpresa, perguntei o porquê da gratidão. Ao que me respondeu que a frase que proferira, na ocasião, fizera toda a diferença e acalmara sua filha.

A menina deve ter se conectado com a irrefutável realidade de que tudo é impermanente. Uma verdade difícil de engolir, principalmente quando as coisas vão bem. Alegria e êxito são sempre bem-vindos. Tristeza e dor, porém... que dificuldade de aceitar as perdas, o final da vida, de nossas coisas, tudo tão transitório!

Quando tudo vai bem, nos apegamos e queremos que dure pra sempre. Nem lembramos que “sempre” não existe. Quando as coisas vão mal, queremos que logo passem. Nem pensamos que “logo” é também muito relativo. Tudo o que existe é, em essência, fugaz.

Lembro desta transitoriedade toda vez que passo na frente do Colégio Pio XII e vejo um pesado pilar de concreto que ajuda a sustentar a estrutura do Trensurb, no lugar da imensa e exuberante figueira que ali deve ter vivido desde o início da história de Novo Hamburgo. A finada deve ter dado sombra aos transeuntes na época dos caixeiros viajantes que, imagino, descansavam junto ao riacho que agora é nosso “valão”. Passou. Como tudo na vida. Você e eu também passaremos. Todos passarão. Esta crônica passará. Então, qual será o nosso legado? Imagino que o que nos cabe é valorizar o agora. Presença no presente. Ontem é aprendizado. Amanhã dependerá do que sentimos, pensamos, fazemos e somos agora. Eternamente.

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Os mascarados

14/07/2017 11:22 / Por FundaMental

Você conhece alguém que parece estar sempre usando uma máscara, de tão artificial que se apresenta? A verdade é que todos nós a utilizamos, cada qual de forma mais ou menos caricata para nos adaptarmos, já que aprendemos, desde muito cedo, o que funciona ou não para sermos aceitos pelo mundo externo.

A criança sabe, pela reação do adulto o que é mais ou menos adequado. Recebe estímulos para continuar, por exemplo, a mandar beijinhos e repreensão quando mete o dedo no nariz. Ligeirinho aprendemos a usar gestos, palavras, tons de voz que nos mostram que somos aceitos, avaliando o que funciona e o que não funciona para atingir nossos objetivos, ainda que inconscientes. Com o tempo, passamos a usar máscaras que garantem nossa inclusão ao meio com o qual pretendemos interagir de forma a sermos mais ou menos aceitos. Assim como precisamos vestir maiô para ir à praia e terno para ir ao casamento, “vestimos” determinados comportamentos que funcionam e , somados, vão determinando uma personalidade.

Aliás o termo personalidade se originou na antiga Grécia, quando os atores teatrais usavam máscaras chamadas persona. Tais recursos serviam para caracterizar um papel determinado e ostentavam dois orifícios para os olhos e um para a boca, este último tinha como função, permitir a saída de som. Aí o nome per sonar (por onde passa o som) que finalmente originou o termo personalidade.

De tanto usarmos uma determinada máscara social, torna-se tarefa árdua abandonar um papel, mesmo que já inadequado, pelo simples fato de que tendemos a nos identificar com ele, o que é endossado pelo meio. Quem não conhece algum eterno adolescente, o empresário que não desgruda de seu estereótipo, a velha sedutora? O fato é que só crescemos e amadurecemos quando aprendemos a abandonar papeis muito estreitos que procuram nos definir.

Precisamos usar máscaras? Com certeza elas nos são úteis, desde que tenhamos a liberdade de expressar o brilho de nossa identidade. As pessoas mais íntegras, interessantes, democráticas, abertas e livres são aquelas que usam e são receptivas à diferentes papéis, sem abandonar sua essência. Sabem que, em essência, são muito mais do que uma personalidade.

 

* Suzana Regina Kunz é publicitária

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Bruxa ou rainha?

08/04/2016 16:54 / Por FundaMental

Dizia um professor de Psicologia que ao atravessar o leito do rio da meia-idade, a mulher tem duas opções: vira bruxa ou rainha. Um dito delicado de entender, até que, ao seu tempo, as fichas vão caindo, uma a uma, a acordar com seu tinido metálico.
 
Para ser rainha tem que se ter passado pelo principado e aprendido a ser princesa feliz. Uma princesa feliz aprende, entre muitas outras coisas, que sua beleza é única e incomparável. Seria uma espécie de dote, uma pedra preciosa. Terá o trabalho de lapidá-la com o objetivo de transformá-la em jóia única. Após tamanho cuidado merecerá obter a coroa da rainha.
 
Entretanto, há princesas que não conseguem enxergar seus próprios dotes, predicados únicos. Comparam-se com donzelas de outros reinos. Por vezes reinos distantes divulgados na TV, nas revistas e jornais. Talvez com
reinados mais próximos, como o do Facebook que escancara a suposta plena satisfação daquelas que se dizem amigas. As princesas que, dia a dia, consultam a balança da comparação, sofrem a dor de não ser o ideal de outrem.
Mal percebem que os critérios oficiais que ditam a definição do belo são, na grande maioria das vezes, falsos e equivocados. Não se pode comparar necessidades, olhos, cabelos, narizes e dimensões físicas. É verdade que todo atributo requer seus cuidados. Mas a beleza está muito adiante do que se pode mensurar. Um gesto, um trejeito com as mãos, a forma de olhar, a entonação da voz. Sutilezas que revelam belezas internas incontáveis, como a capacidade de empatia, por exemplo.
 
As princesas que não elaboram sua própria jóia, cultivam o triste cenário da inveja e não serão coroadas com a vitória da alegria. Viram bruxas a expelir poções mágicas maléficas. Pensamentos, sentimentos, emoções conturbadas lançados contra aquelas que possuem os talentos tidos como melhores. Como o feitiço vira contra o feiticeiro, acabam por sucumbir sobre sua própria suposta feiura.
 
Graças a Deus que as deusas não cansam de inspirar as mortais. Deve ser por isso que a gente encontra pela vida afora verdadeiras rainhas. Jóias que sempre insistem em seguir polindo-se.

 

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É se perdendo que nos achamos

08/03/2016 18:10 / Por FundaMental

A maior piada do verão foi o argentino que esqueceu a mulher no posto de gasolina. Não foi? Foi. O pessoal caiu em cima e fez da chacota outras tantas gracinhas na medida em que paravam para abastecer ou quando o marido queria brincar com a esposa (quero acreditar que era realmente brincadeira!?) e muitos outros deboches com o fato ocorrido.
 
As hipóteses sobre as causas e os porquês deixaram todos muito intrigados. Mas o casamento foi que levou a pior. O machismo que impera na nossa sociedade acaba sempre culpando a mulher por não agradar o marido que estaria justificado do seu feito. Parece normal, mas não é.
 
Foi durante o feirado do carnaval, graças à boa lembrança e associação da Vera, minha mãe, que assisti novamente em sua companhia o divertidíssimo e apaixonante filme italiano Pão e Tulipas (ano de 2000, com direção de Silvio Soldini), onde ocorre cena semelhante. A dona de casa Rosalba (Licia Maglietta) está viajando em uma excursão de ônibus com sua família. Ao parar em um restaurante à beira da estrada, ela é esquecida pelo marido e pelos filhos. Após se dar conta da sua vida um tanto depressiva eis que surge a situação propícia para que pudesse fazer o que sempre quis: conhecer Veneza. Pedindo carona, ela deixa apenas um evasivo recado na secretária eletrônica do marido: "Férias". Mas incidentes transformam a rápida escapada em algo mais duradouro. O que não poderia ser diferente para uma mulher saudável que experimenta a liberdade, a autonomia, a emancipação, o prazer de trabalhar fora de casa, a solidão povoada de afeto e alegria que aos poucos começam a rondar os dias de Rosalba.
 
Sedução ao máximo! Duvido que alguém não teria muita vontade de fazer o que ela fez. Abandonar a culpa materna que a acompanhava nos relacionamentos não apenas com os filhos, mas, principalmente com o marido e dar-se a chance de ser feliz. Enquanto isso, o marido contratava um encanador fanático por histórias de detetive para ir atrás da mulher. Mas Rosalba já foi organizando sua nova vida: arrumou um emprego, dividiu um apartamento com um garçom finlandês, ganhou a amizade da vizinha, voltou a tocar acordeão. Quando o encanador-detetive a encontra, ele também percebe que a vida pode ser muito mais divertida do que parece. E que família tem muito mais a ver com afinidades e afetos do que com laços sanguíneos.
 
Os casamentos precisam ser cultivados com a escuta diária do outro, assim como as famílias. Caso contrário, em tempos de desconexão como este em que vivemos, onde as pessoas estão ligadas nos seus gadgtes e não em quem está ao seu lado, muitos correm este risco. Mulheres e homens ao serem esquecidos nos postos de gasolinas da vida podem ser ameaçados pela possibilidade de uma existência abastecida com combustível aditivado passando a ter muito mais vitalidade, forças e estrada pela frente do que se imagina!

 

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Ilumine-se

07/12/2015 18:22 / Por FundaMental

O que está em cima é igual ao que está embaixo, afirmava Hermes Trismegisto, há milênios no antigo Egito. Verdade atemporal: o que está fora de nós, em níveis mais amplos, reflete aquilo que está em nosso
interior. A recíproca também é verdadeira. O que vive no macrocosmo habita em cada um de nós. Somos feitos dos mesmos elementos físicos, psíquicos e energéticos. Nada existe na face da Terra que não esteja dentro de cada um de nós. Começando pela família, ampliando para a comunidade, cidade, estado, país, planeta. É uma visão sistêmica. Holística. Cada parte revela o todo de que faz parte. E o todo pode ser revelado por uma pequeníssima amostra que lhe constitui.
 
Neste sentido, somos realmente todos um. E se somos todos um, o que dizer deste avalanche de notícias catastróficas que vem assombrando e arrasando com a vida de tanta gente e minando nossos astral? Na visão sistêmica, de alguma forma, você e eu somos responsáveis pelo estado em que se encontra o planeta, inclusive a política nacional. Em palestra de Sri Prem Baba neste final de ano em Porto Alegre, ele presenteou a numerosa plateia de mais de mil pessoas no BarraShoppingSul com palavras simples, ternas e belas, afirmando que existem partes de nós que insistimos em manter no escurinho, mal-iluminadas. São nossos medos que nos tornam reativos.
 
É óbvio que o mundo lá fora só pode ser transformado em um templo de paz quando os cidadãos do mundo a alcançarem dentro de si. Quando cada um de nós tiver coragem de ser simplesmente o que já é. E sendo o que se é, alcançar a auto-realização, até formar uma massa crítica para darmos a virada de consciência.
 
É final de ano e talvez por isso uma nostalgia traz à memória os sons e palavras da música Imagine de John Lennon. Tem proposta mais atual? Alegra e alivia saber que na contramão das notícias catastróficas que prenunciam quase um final de ciclo, tem muita gente atuando como foco de luz, iluminando seus próprios dons, incentivando e vivendo em amor e generosidade, quase sempre em silêncio, longe dos holofotes.
 
Gente que tem coragem de iluminar-se para poder enxergar-se, amar-se em acolhimento. Poderia citar muitas pessoas de nossa cidade. Destaco a própria revista Funda-Mental, responsável por esta página. Porque desde a sua primeira edição, FundaMental dedicou-se a abrir um espaço incentivando esta gente a revelar suas ideias e feitos. Me sinto em casa, quase aconchegada, lendo a publicação porque neste mundo de notícias tão tristes, esta pequena grande revista traz um alento, em conteúdo editorial de primeira qualidade e matérias gostosas de ler. Dicas que dão conforto. Um intervalo bimestral do bem que se multiplica. São 5 mil exemplares e 25 mil leitores absorvendo um conteúdo que leva a bons pensamentos. E pensamentos geram ações que movem o mundo.

 

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