Revista Like Magazine

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Ironic

08/04/2016 16:48 / Por Ana Carolina Minozzo

O esperadíssimo debut de Demna Gvasalia na Balenciaga, no último mês de março, brilhou menos apenas que a apresentação de sua autoral Vetements, poucas noites antes. A marca do desginer natural da Georgia tem somente dois anos, mas conta com seguidores tão fiéis que já são considerados uma (e “a”) nova tribo da moda. De Paris, a coleção de Outono/Inverno 2016 da Vetements uniu proporções de ar desajeitado – de propósito, claro – com logos sarcásticos. “Are we having fun yet?”, perguntava um sweater, enquanto instantes depois um ar gótico era conferido pela frase “Drink my blood and live forever”, beba do meu sangue e viva para sempre. Frases que, segundo o diretor criativo, saíram da Internet, confundiam jornalistas e compradores. Confusos ou encantados, todos repostam os looks em seu Instagram. O sangue, neste caso, é o próprio sistema da moda, anunciadamente em crise, mas ainda prometendo ser a fonte de respostas, ao menos no que diz respeito ao bom gosto. Daí a ironia esperta da marca, que propõe o contragosto, uma quase antiestética ainda que em termos bastante luxuosos no contexto do mundo real.
 
O flerte com o mundano já havia marcado presença na coleção de Verão 2016 da label, apresentando, por exemplo, uma camiseta com o logo da DHL, a empresa de courier competidora do Fedex. Na passarela, nada menos que o estilista russo queridinho dos modernos de plantão, Gosha Rubchinskiy, desfilando para o amigo e compartilhando a legião de fãs do estilo nu e cru do street soviet-inspired. Na mesma onda a Opening Ceremony comemora o sucesso de sua segunda coleção em homenagem a Kodak, cujos rolos de filmes em gráficos coloridos contrastam com o ar futurista dos aparatos digitais que nos rondam constantemente nos dias de hoje.
 
Logos emprestados e frases de efeito com design nada rebuscado reverberam pela moda atual, uma tendência forte nos anos 1990 que, supresa!, é a outra grande tendência do momento. No entanto, na década do grunge e heroin-chic, a brincadeira com os símbolos do corporativismo representava uma rejeição ao consumo e ao mundo do luxo em tempos de recessão econômica. Algo que, claro, podemos sentir na atual ironia da moda, mas que, de certa forma, ainda lhe falta.
 
Hoje, as referências ao banal corporativo tem um ar irônico e ao mesmo tempo complacente. A moda ri de si mesma, de seu absurdo. Ainda assim, a moda permanece na sua zona de conforto, promovendo o mesmo consumo, o mesmo luxo...O mesmo do mesmo, como uma crítica superficial ao sistema embalada pelo próprio sistema And isn’t it ironic.. don´t you think?
 
Assim, quando a Moschino diz que “fashion kills”, a morbidez é mais revelatória do que talvez tenha sido o planejado. O sistema da moda, sim, este mata. E anda matando muito a criatividade.

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Achados, roubados e apropriados

08/03/2016 18:00 / Por Ana Carolina Minozzo

O exótico sempre exerceu particular encanto no mundo da moda, conferindo a esse universo certinho e abastado aquele “je ne sais quoi” e uma extravagância sutil na medida certa. No entanto, a questão da apropriação cultural é extremamente delicada e, ainda assim, um fenômeno muito comum nas passarelas e páginas de revistas. Gipsy, tribal, China-chic... Qual a linha que divide a inspiração e a apropriação? A questão, caros, é apenas de bom senso.
 
Quando a maison Valentino levou às passarelas um batalhão de modelos em vestidos luxuosos, trabalhados em penas e transparências, bordados e pedrarias em setembro do último ano, jornalistas de maior sensibilidade engoliram seco. Havia algo de errado, de muito errado, com a coleção África, de Primavera Verão 2016 da casa, uma das mais tradicionais da Itália e do mundo. Apenas oito das 90 modelos do casting não eram brancas. Além de sua pele clara, as modelos ainda desfilaram o penteado de cornrows, popular entre jovens negras, causando um grande furor nas redes sociais.
 
A falta de beldades de origem afro-caribenha no desfile foi muito mais que uma gafe indelicada em um show cujo tema fora justamente a beleza da África, ressaltaram os comentários, para desespero do duo de diretores criativo da marca, Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli. Agora que a campanha – as fotos produzidas para anunciar os produtos da coleção, capturando sua essência em produções de altíssimo custo – chegou às revistas internacionais, a polêmica retoma seu barulho – e com muita justificativa.
 
Está na hora da moda acabar com mensagens racistas e apropriações culturais ofensivas. Está na hora da moda entrar realmente no século 21.
 
Ironicamente, os povos “homenageados” por estilistas (brancos, europeus, geralmente) são na maioria das vezes aqueles colonizados, destruídos ou dispersados pelos impulsos colonizadores ocidentais. “Olha que pintura de corpo milenar bonitinha”, “Esta vestimenta de alta importância religiosa ficaria ótima com aquela bolsa que estou produzindo”... No caso da tal coleção da Valentino, o press release anunciava a inspiração “África-themed”, em uma generalização com cara de século 19. Pergunto: O que exatamente significa uma temática africana se o continente abriga 2 mil línguas e dialetos diferentes entre seus mais de um bilhão de habitantes em países de culturas absolutamente distintas entre si?
 
O tribal, primitivo e, por consequência, visto como menos civilizado e portanto menos desenvolvido e, nesta lógica, “menor” e “pior”, aparece sempre estereotipado, com suas peculiaridades apagadas. A este fenômeno o intelectual palestino Edward Said deu o nome de “Orientalismo” – a mania europeia de considerar todo “o lado de lá” como um grande oriente exótico, de tratos femininos, primitivos, dependentes e necessitados. Seu livro de 1978, um dos mais citados na literatura pós-colonial, passou longe das estantes das escolas de moda, pelo visto.
 
Imagens onde as modelos brancas e altas posam ao lado de animais selvagens e povos “diferentes”, pequenininhos e em segundo plano são comuns em revistas, inclusive levando assinatura de fotógrafos renomados como o britânico Tim Walker. Nada disso é novidade, claro. Ainda nos anos 1960, Yves Saint Laurent olhou para o continente africano e pintou muita modelo com pontinhos pelo rosto em sua coleção África, de 1967, hoje um clássico da história da moda. Na mesma época, Veruschka, a top germânica, virou onça e abraçou cobras no shooting África, para a revista Playboy. Antes ainda, no auge da tendência Oriental, que encheu casas europeias de móveis chineses e chás japoneses, Paul Poiret dizia para suas seguidoras em Paris que o último grito eram suas calças “harem”, em vez de vestidos, um choque para os mais conservadores e uma apropriação cultural típica.
 
Com o intuito de reverter esta lógica torta, Oskar Metsavaht, a cabeça por trás da brasileira Osklen, buscou estabelecer um relacionamento diferente com seu objeto de inspiração na coleção de Verão 2016 da label. Ao visitar a tribo indígena Ashaninka em uma comunidade amazônica entre o Acre e o Peru, o ex-médico pagou, em dinheiro, membros da tribo. Com a verba do “empréstimo cultural”, o povo pôde construir uma escola além de participar de um documentário bancado pela Osklen contra o desmatamento ilegal de sua reserva. Uma troca mais justa, sem hipocrisia. Ainda assim, fica difícil avaliar o quanto, em dinheiro, vale uma cultura.
 
Apreciar, homenagear, se inspirar... fazemos isso o tempo todo ao olhar tanto aquilo que nos é familiar quanto o que nos parece diference, distante, de outro mundo. Na indústria da moda, para além dos estereótipos preconceituosos há a grande questão da comercialização desta cultura “emprestada à força”, afinal, produtos de moda são produtos, vendidos no fim das contas e gerando lucro para alguém que, nestes casos, não tem no sangue uma gota da cultura “exótica” que tanto lhe inspirou.

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Nosso tempo

07/12/2015 18:17 / Por Ana Carolina Minozzo

Ainda em 2013, antes da febre do Snapchat e da cultura do instantâneo tomar as proporções que viemos a testemunhar mais recentemente, a respeitadíssima crítica de moda norte-americana, Suzy Menkes, desabafou em texto para o New York Times que o ritmo, acerelado demais, da indústria da moda estava intoxicando a criatividade de designers e jornalistas de todos os setores. A coluna entitulada The New Speed of Fashion foi assunto quente por semanas, tornando-se um clássico em conversas do meio, debates e cursos. Era como se Menkes estivesse confidenciando um segredo, agindo como porta-voz de uma indústria cansada, no limite.
 
Coleções demais. Inverno, verão, masculinas, femininas, resort, pre-fall, alta costura... Colaborações, linhas secundárias e a inspiração até mesmo dos mais geniais estilistas se esgota. Repórteres não acompanham direito quem fez o quê. Aquele camuflado em paetês era de qual marca mesmo? Quando as pré-coleções chegam nas araras na Europa? Tudo azul, nada de azul, fuja do azul!
 
Dois mil e quinze foi sem dúvidas um ano em que a exausta mental, característica de nossos tempos, recebeu um basta como resposta. Como protagonistas vieram dois nomes imponentes das maisons de moda das mais tradicionais de Paris. Raf Simons diz adeus ao posto mais cobiçado do mundo fashion na Dior e o irsaelense Alber Elbaz surpreende ao pedir as contas na Lanvin após 14 anos na casa. Ambos alegaram, de maneira elegante, não estarem dispostos a comprometer sua vida e criatividade em prol de um business plan agressivo. Em poucas palavras: tudo estava too much e eles estão outta here.
 
Anunciadas praticamente na mesma semana, as saídas dos diretores criativos chacoalhou o fim de outubro e todo o último mês de novembro. Como resultado não se fala em outra coisa nas rodinhas de moda. Suzy Menkes, como esperado, atacou novamente em defesa do design belga que muito admira. Simons, para ela, foi vítima da alta velocidade da moda, em uma época em que grande parte das marcas de luxo são administradas por conglomerados poderosos que enxergam números como parte integral do mercado de luxo.
 
Moda é sonho, sensibilidade. Às vezes projeções de vendas podem impedir que um criador prospere e o tratamento de tudo o que é estético como commodity efêmera e de grande valor traz também consumidores para dentro da jogatina. A única saída é desacelerar. Lucrar sem precisar crescer, não comprometer a qualidade de um produto e, acima de tudo, não deixar de tratar pessoas como seres humanos, não importando em qual lado do jogo da moda elas estejam.
 
Em 2016, nossos tempos têm que ser mais nossos. Tim tim!

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It's show time

04/11/2015 17:18 / Por Ana Carolina Minozzo

O Verão 2016 acaba de ser revelado nas passarelas das capitais fashion, começando em Nova York, passando por Londres e Milão e terminando em Paris, num mês inteiro de desfiles e muita correria para quem acompanha de perto as semanas de moda. Como sempre, é possível ver de tudo um pouco, de tendências românticas à esportivas, saias curtas ou compridas, justas ou soltas. Nesta temporada, além da mudança de local dos desfiles londrinos e do triunfo de Alessandro Michele em reinventar a Gucci, apagando qualquer alusão ao mundo sexy dos últimos anos, o assunto mais discutido foi a necessidade de realizar desfiles e o papel destes eventos caríssimos na atualidade.

 

Será que estes investimentos astronômicos valem de fato a pena? Em plena era digital, onde temos recursos para comunicar ideias e criações instantaneamente com milhões de pessoas ao redor do mundo, o que leva marcas a insistirem em esforços monumentais para criar 15 minutos de um ambiente dos sonhos para uma porção limitada de fashionistas?

 

A resposta de Tom Ford foi bastante pragmática. Em vez de um tradicional desfile, o designer convidou o fotógrafo e mestre do fashion film Nick Knight para dirigir um vídeo com Lady Gaga, apresentando o conceito e peças de sua coleção de verão. “Hoje em dia, o foco é criar imagens para serem usadas online”, declarou ao Business of Fashion, explicando que resolveu apenas cortar este caminho, já oferecendo um material pronto para ser compartilhado. A iniciativa segue uma série de outras tentativas fora do comum, como shows privados em Nova York e em Londres, onde telefones celulares não eram permitidos.

 

Já a Givenchy, casa originalmente francesa com um dos shows mais quentes da NYFW, abriu as portas do desfile neste último mês de setembro para cerca de 1,2 mil pessoas, entre eles estudantes das universidades de moda da cidade, moradores locais e interessados que puderam registrar-se para um convite online. A época do clubinho exclusivo, segundo a marca, já passou. Em Londres, a Burberry seguiu a mesma linha, divulgando no aplicativo Snapchat toda sua coleção cerca de 24 horas antes do desfile oficial da linha Prorsum, o luxuoso carro-chefe da label britânica. Na hora do desfile, que contava como sempre com uma fila A recheadíssima de celebridades, uma orquestra embalou ao vivo o andar das modelos, chamando atenção muito mais para a emoção de ver as peças apresentadas de forma tão glamurosa do que para as roupas em si (que, afinal, são sempre bastante comerciais, diga-se de passagem).

 

Acesso às informações do universo da moda não é mais uma exclusividade tão valiosa e sigilosa quanto no passado. Bloggers e entusiastas das redes sociais fazem a indústria girar, garantindo um alcance global muito mais amplo do que campanhas tradicionais. Marcas reconhecem este fato, facilitando justamente essa troca de imagens online ao lançar uma nova coleção.

 

No entanto, há um certo frio na barriga, uma experiência sensorial completa, que só os rápidos minutos de um desfile – destes que trazem consigo aspectos do teatro, da dança, das artes – podem comunicar. Em Paris, Rick Owens e Hussein Chalayan, designers muito mais conceituais, exploraram o desfile como performance artística. Outra opção que tem aumentado em popularidade entre designers mais jovens é a apresentação – geralmente algo mais informal, onde modelos vestem as peças e circulam entre convidados por duas horas, sem toda parafernalha de luzes, câmeras e ação. Embora considerada uma etapa para iniciantes ou marcas sem muito budget, a apresentação também dá mais liberdade na hora de criar o ambiente, além de permitir que o criador ou membros de sua equipe conversem com a imprensa e compradores enquanto as roupas são apresentadas.

 

A estreia da The Row, marca das gêmeas Olsen, na semana parisiense veio neste formato. Durante três horas, modelos e convidados perambulavam pelos chiques jardins do Palais Royale, no coração da capital francesa. No dia seguinte, o movimento se repetiu para convidados vips no Château de Courances, seguido de um jantar oferecido pelas irmãs americanas. Com muitos milhões a menos nos bolsos, Molly Goddard criou uma fantástica fábrica de sanduíches na sua apresentação esperadíssima em Londres; enquanto a This is Uniform trouxe modelos jogando ping-pong na sua vez.

 

Estar lá ou não estar lá, ver de perto ou pela Internet, horas mais tarde, ainda continua uma questão que mede a importância em termos de “glamour fashion” dos profissionais do setor da moda e celebridades afins. No entanto, na hora de trabalhar, de se comunicar com o público e fazer uma coleção ir de fato para as páginas das revistas ou minar o Instagram, estar lá ou não faz pouca diferença. A revolução digital traz consigo este entendimento, de que na hora de tratar de negócios, um desfile só precisa ser produzido caso exista fundos suficientes para tal e se alguma nova (ou antiga) marca não quiser se quebrar por causa dos fatídicos 15 minutos não está, de maneira alguma, fadado ao esquecimento e fracasso. 

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Um mar de flores

05/10/2015 16:49 / Por Ana Carolina Minozzo

Não é de hoje que um dos pontos prediletos dos fotógrafos de street style – aqueles que registram os bem vestidos nas grandes ci­dades – é o mercado de flores de Columbia Road, que ocorre aos do­mingos no leste da capital britânica. Um buquê de flores frescas pa­rece ser essencial na rotina de começo de semana do povo da moda, artistas e criativos em geral que circulam pela região, tomando flat whites e vestindo sempre peças tão cool que chega a ser errado cha­má-las de “última” tendência, afinal, elas têm mais cara de “primeiras”, chegando neste lado da cidade com meses de antecedência.

Em Paris, no bairro de história boêmia de Montmartre, o polê­mico estilista John Galliano presta visitas regulares ao atelier do ira­niano Majid Mohammad, o gênio por trás de um dos segredos mais bem guardados dos parisienses: a Muse, sua loja de flores escondidi­nha em uma das ruelas medievais do arrondissement 18. Segundo o florista, Galliano é extremamente exigente, apesar de confiar em seu talento para montar buquês com preços que começam nos salgados 150 euros.

Desfiles, lojas, estúdios de designers e showrooms de vendas de labels disputadas também fazem nota das flores semanais. Onde quer que a gente ande, flores e, mais recentemente, folhagens nos seguem, acompanhando mudanças estéticas num ciclo quase tão acelerado quanto o da moda. Também sucessíveis à Internet, as plan­tas entram e saem de moda, virando febres nas redes sociais depois que um grande estilista resolve enfeitar as passarelas ou simples­mente quando uma série de televisão americana traz a mocinha se casando com alguma flor exótica.

Peônias, tão delicadas, e especialmente as de cor de rosa claro, entraram na moda em fotos no Instagram e Tumblr, decorando casas mais românticas em tons mais claros. Suculentas e cactos, fáceis de cuidar, apareceram aos montes em vasinhos de barro rústicos, substi­tuindo velas e objetos mais caros nas mesas de jantar. Rosas e tulipas nunca saem de moda, enquanto folhas de eucalipto soltas e secas são a novidade no quesito decoração de quartos minimalistas.

Lavandas secas enroladinhas em palha, copos-de-leite no buquê de casamento, lírios em vasos cilíndricos altíssimos de vidro, todas têm seu momento

Este verão, meu nono vivendo na Inglaterra, reparei pela primeira vez na quantidade de hortênsias nos jardins de casas perto da minha. Para quem cresceu no Rio Grande do Sul, a simplicidade da hortênsia, em cores e texturas nem sempre contínuas, pode passar batida ao olhar. Mas foi só prestar atenção que hortênsias começaram a aparecer nas lo­jas de flores descoladas, na Internet e decorando o hotel cinco estrelas Claridge’s. Foi lá que, conversando com uma florista da boutique de flores McQueens, que cuida das flores de todo hotel, que desvendei o mistério das hortênsias. “Elas estavam na moda nos anos 1980 e como tudo, com o tempo ficaram com cara de casa de mãe e tia. Ultimamente, exatamente como tudo que mães e tias gostam, voltaram a ser encomendadas”, conta a flower designer. “O legal da hortênsia (hydrangea em inglês) é que ape­nas três ou quatro flores já fazem um buquê gordinho, lindo nas mãos ou em vasos mais centrais no ambiente”, completa. Muitas vezes, a moda das flores não segue necessariamente a lógica da praticidade, indo contra até a própria natureza. Dálias, confessa a designer, são as mais delicadas, mas duram pouco mais de um dia. Peônias, para decorações formais, não aguentam mais de dois, sem contar que flores vêm em épocas precisas, assim como as frutas, têm de ser importadas refrigeradas de países pro­dutores como Holanda, Quênia ou Colômbia.

Para arrematar buquês recheados das flores da estação, o segredo londrino é uma viagem bem cedo da manhã até o New Covent Garden Market, no subúrbio mas de fácil acesso. É lá que floristas da cidade inteira compram em grandes quantidades, deixando os preços muito mais em conta e a variedade espeta­cular. A visita em si vale a pena, nem que seja para sair de mãos vazias (impossível!)... Entre gritos de ofertas, as cores vibrantes compõem um mar de flores, um banquete para os olhos.

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