- Turismo -

SEIS PAÍSES E O CORONAVÍRUS

26.06.2020 por Bruna Kirsch

Fomos atrás de seis gaúchos que moram em diferentes países afetados pela pandemia da Covid-19. Eles nos contam suas experiências, medidas adotadas e falam de suas perspectivas para a retomada das atividades e do turismo.

Foto: Adobe Stock

AUSTRÁLIA

Foto: Arquivo pessoal A hamburguense Nina Clara Dresch, 32 anos, é assistente de educação infantil e mora em Sydney, na Austrália, desde 2017, quando foi ao país para estudar inglês e viver novas experiências. Ela é noiva de Sidney Junior, de 38 anos, e adora os passeios na Opera House, no Jardim Botânico e nas deslumbrantes praias australianas. Nina começou a sentir os efeitos da pandemia do coronavírus na cidade na primeira quinzena de março. “Pessoas conhecidas contraíram o vírus e sentimos falta de alguns produtos nos mercados, como papel higiênico, massa, arroz e farinha de trigo”, explica.

SITUAÇÃO ATUAL
Segundo Nina, em 11 de maio os números de casos confirmados no país eram 6.948, com 97 mortes e 18 novos casos nas últimas 24 horas. Ela menciona que restaurantes e cafés estão funcionando somente com tele-entrega.
Já academias, bares, comércio não essencial e praias foram fechados, porém o Ministro manteve as escolas, universidades e creches abertas. “Somente algumas decidiram fechar por conta própria e realizar as aulas on-line.” Exercícios físicos na rua são liberados somente em dupla, desde que os dois morem juntos. O comércio essencial teve que aderir ao distanciamento social. “A polícia fez um controle muito rígido nas ruas, aplicando multa para as pessoas que estivessem transitando sem um motivo essencial. Como estamos com os números de casos baixos, o governo vai realizar o alívio do lockdown em três fases (de maio a julho), para aos poucos voltarmos ao normal”, explica. Nina conta que infelizmente perdeu o seu emprego na escola de educação infantil e nos eventos onde trabalhava aos fins de semana. “Com isso, fiquei em casa por 40 dias, saindo somente para ir ao mercado e fazer caminhadas”, diz.

MEDIDAS ADOTADAS
A hamburguense conta que desde a segunda quinzena de março, o Primeiro Ministro da Austrália Scott Morisson, determinou que todos os grandes eventos deveriam ser cancelados, como shows, jogos esportivos, festas, GP da Austrália em Melbourne, entre outros. “Ele também determinou que qualquer pessoa com entrada internacional na Austrália deveria ficar em quarentena por 14 dias. O governo e a polícia fazem o controle com visitas e podem aplicar multa, com possibilidade de prisão”, conta. Conforme os casos de coronavírus foram aumentando, as medidas ficaram mais restritas. “Entramos em lockdown e as fronteiras foram fechadas, inclusive entre estados australianos.
Somente cidadãos australianos e residentes permanentes poderiam entrar no país, respeitando a quarentena, que em abril começou a ser 100% controlada pelo governo. As pessoas eram escoltadas pela polícia desde o aeroporto até o hotel, escolhido pelo governo, para o isolamento de 14 dias. Elas recebiam alimentação nos quartos e não podiam ter acesso aos corredores. Tudo pago pelo governo.” Nina fala ainda que seguiu as normas do governo. “Usava luvas e máscara para ir ao mercado e carregava álcool em gel por tudo. Não visitei amigos e não recebi visitas. As aulas eu assisto on-line”, diz.

PERSPECTIVAS
Nina acredita que a decisão do lockdown, fechamento das fronteiras e a quarentena controlada foram medidas importantes para o controle do vírus e posterior retomada do turismo. “Penso que o turismo interno vá retornar em breve, e o nosso dia a dia em Sydney deva voltar ao normal em agosto. Mas, o retorno do turismo internacional deva ocorrer somente no fim do ano ou no início do ano que vem. Tenho muitos amigos que estavam em férias em outros países e ainda não conseguiram retornar.” Ela espera que, até o Ano-Novo, quando a cidade fica lotada de turistas por conta dos fogos na Harbour Bridge, tudo tenha voltado ao normal.

CHINA

Foto: Arquivo pessoal A gerente de exportação Milena Trieweiler Marcarini, 30 anos, natural de Campo Bom, mora na cidade de Dongguan, na China, desde 2013, com o seu marido, Augusto Cézar Marcarini, 32 anos, e a sua filha Isabela, 3 anos. Ela explica que, ao contrário do que possa parecer, Dongguan não é ocupada apenas por prédios e área urbana. “Aqui temos muitos parques e muito verde, e com certeza esses são nossos passeios preferidos aos fins de semana. Gostamos de nos reunir nos parques com os amigos, tomar chimarrão e brincar com a Isabela”, diz.
Milena conta que quando começou o pico do coronavírus na China, eles estavam no Brasil, em férias. “Voltamos para a China no início de março, e foi nesta época que começaram os casos mais frequentes no Brasil. Acredito que não vivenciamos presencialmente os picos em nenhum lugar. Ficamos 14 dias em casa sem sair da porta e, quando saímos, já estava mais tranquilo. Nada comparado ao normal, mas a maior parte do comércio estava funcionando, com os devidos cuidados. Nas entradas de shoppings, restaurantes, lojas e até nas entradas dos condomínios, os seguranças controlavam a temperatura e o fluxo de pessoas. Todos os estrangeiros precisaram fazer um QR Code e um comprovante de quarentena para entrar em alguns lugares. “A China está fechada desde o fim de março. Tenho muitas amigas que ainda estão no Brasil, porque não conseguiram voltar. Esta medida foi tomada para que ninguém mais entre contaminado.”

SITUAÇÃO ATUAL
Com a chegada da primavera na China, Milena já percebe sinais de que a pandemia está passando. “Aqui já está fazendo muito calor, com sensação térmica de quase 40 graus, então o vírus se propaga menos. No último fim de semana (dias 9 e 10 de maio) notamos uma grande diferença no fluxo de pessoas nas ruas. Acreditamos e temos esperança de que tudo tenha passado e que logo passe no resto do mundo. Mas os cuidados continuam: todos com máscaras e isso vai se manter por um bom tempo”, afirma.

MEDIDAS ADOTADAS
Segundo Milena, o governo foi muito rigoroso no país, e impôs a quarentena juntamente com o Chinese New Year, quando geralmente ocorrem férias coletivas. “Tinham guardas na rua que mandavam as pessoas para casa ou as levavam até lá. O povo foi bem comprometido, pois acredita muito no governo e cumpriu rigorosamente as regras. Hospitais foram construídos em tempo recorde, a produção de máscaras foi o principal mercado e ainda está sendo”, diz. Segundo ela, todos continuam se cuidando muito, porém mais tranquilos com a situação atual e sem casos na cidade de Dongguan.
Para enfrentar os dias de distanciamento social na China, Milena segue as normas à risca. “Uso máscara em tempo integral, lavo as mãos com muito sabão sempre que possível, uso álcool em gel, evito aglomerações. Sacolas, sapatos e tudo que venha da rua não entra em casa sem ser desinfetado”, explica.

PERSPECTIVAS
Milena diz que o turismo local está sendo retomado aos poucos. “Os pontos turísticos estão liberados, porém ainda com restrições de público. Bares e shoppings já estão sendo frequentados, mas com cuidados. Já a Disney em Shanghai, reabriu essa semana depois de quatro meses fechada. Mas ela está com limitações de ingressos e sem espetáculos e shows”, diz. Quanto à retomada do turismo para estrangeiros, Milena acredita que ainda possa levar um tempo, em função do fechamento das fronteiras. “Não tenho uma perspectiva de quando tudo voltará ao normal, mas tenho muita fé e esperança de que volte a ser como era antes o mais breve possível. As escolas já retomaram as atividades para crianças acima de 7 anos. Para os pequenos ainda não há previsão. Se todos fizerem a sua parte, em breve estaremos juntos novamente.”

ESPANHA

Foto: Arquivo pessoal A estilista Cristine Konrath Ramires, 37 anos, é natural de São Leopoldo e mora atualmente em Sant Cugat del Vallès, Barcelona, na Espanha, com o seu marido, Sidnei, 37, e seus filhos Pedro, 14 anos, e Joaquim, de 1 aninho. Ela se mudou para a cidade em julho de 2017, por conta da transferência do seu marido. O que Cristine mais admira em Barcelona é a sua arquitetura, por isso, o seu programa preferido é simplesmente andar pela Ciutat Vella, a parte mais antiga da cidade, onde fica o bairro Gótico, com suas vielas, a Catedral de Barcelona e diversos museus.
Cristine conta que até uma semana antes do decreto todos levavam uma vida normal. “O governo espanhol demorou para agir. Os casos começaram a ser divulgados, porém, não se fez muito para diminuir a velocidade do contágio. O momento em que o governo se posicionou foi para decretar o confinamento total”, diz. Segundo ela, no dia 12 de março o governo anunciou o fechamento das escolas já para o dia seguinte e o confinamento a partir do dia 16. “Mas, já no dia 15, a polícia andava pelas ruas pedindo para que as pessoas voltassem para suas casas sob risco de multa.”

SITUAÇÃO ATUAL
No dia em que respondeu a esta entrevista, Cristine estava vivendo a fase 0 das 4 fases de desconfinamento. “Cada fase permanecerá por uma ou duas semanas até que se confirme, com base em números de casos e mortes, de que se pode avançar”, explica. Na fase zero é permitida a abertura de comércios menores de 400m² com atendimento com hora marcada e pode-se buscar alimentos em restaurantes para se comer em casa. Na fase 1 será permitida a abertura de comércios com público limitado a 30%; a abertura das áreas externas dos restaurantes com ocupação de 50%; a abertura de museus com público limitado a 33%; e abertura dos hotéis, excluindo áreas comuns. Nas fases 2 e 3 as medidas vão relaxando para comércios, restaurantes, cinemas, teatros, salas de concerto e hotéis, porém, ainda com restrições específicas, conta Cristine.

MEDIDAS ADOTADAS
Segundo a estilista, o confinamento espanhol foi um dos mais duros do mundo. “Era permitido somente um integrante da família sair para ir ao supermercado ou farmácia. Todo o comércio foi fechado, porém as indústrias seguiram trabalhando. Somente no dia 26 de abril o governo autorizou sair com as crianças de casa para passeios até 1 hora, a uma distância de até 1 km do local da residência, somente com um dos pais. Neste momento, as crianças já estavam há quase 45 dias sem sair de dentro de casa”, explica. Cristine também conta que foi decretado estado de alarme na Espanha no dia 16 de março e ele seguia sendo ampliado, semana após semana. “Atualmente foi ampliado até 24 de maio e ainda não sabemos se ocorrerá novamente ou não. Este estado permite que o governo aplique, além do confinamento, a apropriação de hospitais particulares e que as empresas façam a suspensão do contrato de trabalho, no qual o funcionário recebe 70% do salário pago pelo governo, ou redução de jornada, recebendo uma parte do salário do governo e outra da empresa”, conta.
Para se precaver, Cristine e sua família seguiram as medidas impostas pelo governo, trabalhando home office, com aulas on-line e saídas somente para supermercados e farmácias. “Nós trocamos de roupa cada vez que voltamos da rua, deixamos os sapatos do lado de fora do apartamento, limpamos todas as compras com álcool e utilizamos máscaras”, diz.

PERSPECTIVAS
Cristine diz que na Espanha ainda não estão na fase de retomada do turismo e acredita que as coisas não voltarão a ser como antes por um bom tempo. “Estamos no início do processo que deve durar até 22 de junho para chegar a ‘nova normalidade’. Estamos entrando no verão, porém, ainda não se pode circular livremente para sair da província de residência. Não vejo previsão para chegarmos a uma normalidade 100%.”

ESTADOS UNIDOS

Foto: Arquivo pessoal A leopoldense Cristiane Konrath Ramires, 38 anos, é user experience designer e mora em Nova York com o seu marido, André Carlos, 33 anos, desde 2016. “Minha mudança veio do desejo de morar em outro país. Estudei algumas possibilidades e NYC foi a escolhida por ser uma grande oportunidade para a minha carreira em produtos digitais e para o meu estilo de vida”, diz. Depois de alguns anos na cidade, ela confessa que os pontos turísticos mais conhecidos não são os seus favoritos. “Amo caminhar em um parque embaixo da Brooklyn e da Manhattan Bridge; visitar ateliers de arte em Red Hook; pedalar na Governor Island; e ir ao Jardim Botânico do Brooklyn no início da primavera para ver as cerejeiras.”
Cristiane conta que a contaminação por coronavírus na cidade foi muito rápida. “Eu estava em Miami para um fim de semana e lá encontrei alguns amigos que me perguntaram como estava a situação em NYC, pois as notícias eram péssimas. Três dias depois eu voltava para NYC com máscara e luvas no aeroporto e desinfetante para limpar as poltronas do avião. Alguns dias depois, entramos em quarentena e não saímos mais de casa até hoje. No dia 14 de maio o isolamento completou 60 dias.”

MEDIDAS ADOTADAS
Ela diz que entre as medidas impostas pelo governo está o distanciamento social, no qual as farmácias e supermercados continuam funcionando, porém com horário reduzido e limite de pessoas, e o uso de máscaras. “Restaurantes, lojas, academias e alguns parques foram fechados e eventos cancelados. O Estado criou uma lei para quem está desempregado se isentar de pagar o aluguel por três meses. Há um benefício básico mensal para quem perdeu o emprego. A prefeitura dedicou hotéis para que as pessoas infectadas ficassem em isolamento longe da família. As escolas públicas distribuem três refeições diárias para qualquer pessoa, independente do status de visto. Há postos de atendimento (grandes tendas) em vários pontos da cidade para testes e primeiros socorros. Esta semana liberaram os testes para anticorpos.”
Cristiane diz que entre as medidas que adotou estão: tranquilidade, calma e serenidade. “Não penso no dia de amanhã. Tudo mudou muito rápido. E, na mesma velocidade que o vírus chegou, pode ser que chegue a solução”, afirma.

PERSPECTIVAS
Cristiane conta que as fronteiras ainda estão fechadas até mesmo para o envio de cartas entre países. “Acredito que os fatores que fizeram da cidade uma das mais atingidas do planeta são: a sua densidade, transporte público e turismo. A previsão é que leve mais de um ano para algumas atividades retornarem. Um estudo apontou que a vida mais próxima do que conhecíamos acontecerá somente em 2022.” Mesmo assim, Cristiane acredita que até o fim do ano deverá voltar às ruas com restrições. “Talvez alguns restaurantes funcionarão. Não acho que shows e viagens de turismo voltem este ano. Também acredito que as escolas começarão seu novo ciclo,
em setembro, com aulas on-line.”

INGLATERRA

Foto: Arquivo pessoal A jornalista Francine Desoux, 33 anos, de Porto Alegre, mora em Londres com o seu marido, David Crawshaw, de 36 anos, desde 2017, e trabalha como barista em uma universidade. Ela adora receber visitas de amigos e parentes para mostrar a cidade. “Eu sou apaixonada por toda a região de Southbank, à beira do Tâmisa na Central London. Passando, claro, pelo London Eye,
London Bridge e Queen’s Walk”, conta.
Francine começou a sentir os efeitos da pandemia quando estava no Brasil em férias. “Chegando em Londres, na primeira semana de fevereiro, senti que o assunto era sério. O clima era de apreensão, mas parecia algo distante. Trabalhei por cinco semanas, até 13 de março. Moro em uma casa compartilhada e, naquele fim de semana, uma das minhas flatmates tinha chegado de viagem à Portugal e começou a apresentar sintomas de coronavírus. Já naquele momento fui orientada a ficar em isolamento e observar os sintomas. Não voltei mais ao trabalho. Na semana seguinte comecei a ter febre. Somos oito pessoas na casa, cinco estiveram doentes nesse período”, conta.

SITUAÇÃO ATUAL
A jornalista narra que faz oito semanas que não sai do seu bairro. “De forma geral, estamos desde 23 de março em isolamento social, em casa, saindo para a rua apenas para compras essenciais e exercícios físicos. Somos autorizados a fazer exercícios ao ar livre desde que não tenhamos contato com pessoas fora da household. O comércio está fechado, com exceção de supermercados, mercados menores, tabacarias e farmácias”, diz. Para ela, a situação da pandemia no país ainda é confusa. “O governo fez um anúncio avisando que esta semana estariam relaxando algumas regras do isolamento, e aqueles que não podem exercer sua função via home office deveriam voltar ao trabalho. Porém, foi pedido que se evite o uso do transporte público. Ninguém sabe muito bem o que fazer. Estamos esperando os próximos anúncios.”

PERSPECTIVAS
Sobre a retomada do turismo, ela acredita que é ainda um pouco distante. “No último anúncio foi dito que pessoas chegando no Reino Unido ficariam 14 dias em quarentena. Foi o primeiro sinal de retorno do turismo, ou pelo menos dos voos. Segundo os planos do governo, isso deve acontecer em julho, desde que as pessoas obedeçam regras e não causem um segundo pico da doença”, diz. A aposta da jornalista é que a rotina volte ao normal em setembro. “Mas, tudo depende de como vamos nos comportar nos próximos meses.”

ITÁLIA

Foto: Arquivo pessoal A fotógrafa Giliane Rosa, 30 anos, natural de Carazinho/RS, mora em Sardenha, na Itália, com o seu marido, o atleta de futsal Marcio Dalcin, 37 anos. “Meu marido veio em 2007 para atuar na profissão de jogador de futsal. Eu cheguei no fim de 2015 e resolvi ficar. Em 2018 tivemos a nossa filha, Sara”, diz. Ela explica que Sardenha é uma ilha localizada no Mar Mediterrâneo e é uma das mais visitadas do mundo no verão europeu, por causa de suas praias paradisíacas de águas cristalinas. “É difícil citar um lugar mais lindo da ilha, pois ela é rodeada de belezas naturais.
Amamos cada canto, mas nossos preferidos são: La Pelosa, com suas belas águas e seu Nuraghi histórico; Alghero, a cidade mais visitada no verão; Costa Esmeralda, que é composta por belíssimas praias; Arquipélago de La Maddalena e Caprera; e Bosa e Castel Sardo, com suas casinhas coloridas e castelos.
A família começou a sentir os efeitos do coronavírus no fim de fevereiro. “O grande impacto foi no dia 9 de março, quando a Itália parou, permanecendo abertos apenas estabelecimentos de primeira necessidade, como farmácias e mercados. Para sair de casa era obrigatório ter uma autocertificação, declarando e comprovando o motivo, como trabalho, saúde e situações de extrema necessidade, caso contrário, era multa ”, conta.

SITUAÇÃO ATUAL
Giliane afirma que a Itália chorou. “Foram dias de terror, pânico e muito medo do amanhã. Em 27 de março, a Itália registrou seu recorde de mortes em 24 horas pela Covid-19. Foram 969 vidas perdidas. Hoje, em 20 de maio, são 227.364 casos positivos e 32.330 mortes. Mas estamos unidos e a cada dia vencendo essa pandemia. Hoje foram feitos mais de 67 mil testes com apenas 1% positivo. Temos 676 pessoas em terapia intensiva, sendo que o recorde
foi dia 3 de abril, com 4.068 pessoas”, afirma.
Mas, segundo Giliane, a Itália está quase “voltando a respirar” e voltando ao normal aos poucos.
No dia 18 de maio foi dado início à fase 2, em que muitos estabelecimentos reabriram, não sendo mais necessária a autocertificação para se locomover. “Já estamos podendo fazer passeios em família e caminhadas, mas sempre com o uso (obrigatório) de máscaras, luvas e álcool em gel”, aponta.

MEDIDAS ADOTADAS
A fotógrafa afirma que uma das medidas tomadas pelo governo para conter a pandemia foi o isolamento social. “Acreditamos que foi uma das mais eficazes no combate à Covid-19. Outra medida foi a organização em estabelecimentos como, por exemplo, nos mercados. Filas com uma distância de 1,5 metros de uma pessoa para a outra, limite de ocupação e somente um membro da família podia fazer compras.
Nas ruas, o controle era feito por policiais e em grandes cidades pelo exército. Havia a aplicação de multa por desobediência às normas que o governo decretou.”
Giliane e a sua família obedeceram às medidas de proteção e combate à pandemia e, aos poucos, estão retomando suas antigas rotinas, sempre com cautela e proteção. “Ficamos em quarentena por 71 dias e sempre respeitando e zelando uns pelos outros”, aponta.

PERSPECTIVAS
Segundo Giliane, com as medidas de contenção da pandemia, o turismo não deve demorar para ser retomado no país. “Estamos conseguindo retomar aos poucos nossas vidas e em breve a Itália reabrirá as fronteiras para o nosso amado turismo”, diz. Ela acredita que até julho ou agosto tudo deva voltar ao normal, “se cada um fizer a sua parte”.

 

*Todas as entrevistas foram concedidas no mês de maio.


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