- Gente -

A ARTE DE CUIDAR DO OUTRO

16.10.2020 por Marcelo Kenne Vicente

Nada mais justo do que valorizar e parabenizar aqueles profissionais que se dedicam tanto à saúde das pessoas

Foto: Adobe Stock Em qualquer lugar do mundo, este profissional é com certeza aquele que não pode faltar. E caso venhamos a ter no futuro a colonização de um novo planeta, qual será um dos primeiros a serem lembrados para compor a tripulação inicial? O médico, é claro, por seu conhecimento e capacidade de cuidar e de salvar vidas.

Pois esses trabalhadores incansáveis estão sendo homenageados na edição deste mês da Like Magazine. A motivação primeira é o Dia do Médico, comemorado no dia 18 de outubro. Mas, somado à data, queremos valorizar essas pessoas que tanto fazem pela população neste tempo difícil de pandemia. Entrevistamos três médicos, de diferentes frentes, colocando suas experiências e conhecimentos em favor dos outros. Saúde!

APAIXONADA PELA PROFISSO

Foto: Arquivo pessoal A Dra. Juliana Kern Machado acredita que o melhor feedback em relação ao seu trabalho como médica é a satisfação do paciente, incentivando-a a aprimorar seus conhecimentos e condutas. Ela tem 40 anos de idade, é moradora de Novo Hamburgo e formada no ano de 2011 em Medicina na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina. “Venho de uma família de médicos, cresci e me criei participando de conversas, congressos, idas aos hospitais acompanhando meu pai e visitando os consultórios de minhas tias. O desejo de ajudar os outros, aliado à influência familiar, fizeram com que eu me tornasse médica.”

Casada com outro médico, Dr. Paulo Renato Machado, Dra. Juliana tem quatro filhos, dois de sangue e dois de coração. Trabalha como médica clínica, tanto na Emergência como no Atendimento Pré-Hospitalar SOS Unimed Vale do Sinos. Também faz parte da equipe de atendimento da Unimed Lar, cuidando dos pacientes em internação domiciliar, além de contar com seu próprio consultório. Hoje, está na linha de frente de atendimento à Covid-19. Segundo ela, a rotina é puxada com 12 horas diárias, distribuídas nos diferentes locais onde atua.

UM ANO DIFERENTE
Em 2020, foi preciso adaptar bastante a rotina do hospital, assim como a da família. Para ela, essa pandemia é, sem dúvidas, um importante momento de transição que a humanidade está enfrentando. “Surgem inúmeras oportunidades de o ser humano se reinventar e estamos no caminho certo. Toda mudança gera ansiedade e desconforto, mas nos impulsiona a melhorar como pessoas e como sociedade. A saúde inova com a telemedicina e novos serviços”, comenta.

Uma pergunta frequente feita pelas pessoas durante as consultas, lembra Dra. Juliana, é até quando vai durar a pandemia. “Cientificamente, falamos em 2021, embora a Europa já tenha começado a cogitar 2022. Muitos aspectos estão envolvidos e não existe uma resposta precisa.” Ela crê que a utilização de máscaras se fará necessária ainda por um longo período. “Aprendemos muito sobre procedimentos higiênicos/dietéticos com a pandemia e essas informações deverão ser incorporadas como hábitos e não mais como medidas de proteção.” A entrevistada dá um recado sobre o momento: “Agradeço aos colegas da linha de frente em todos os setores onde trabalho. E deixo meus sentimentos aos familiares de quem perdeu a batalha contra a Covid-19”.

Foto: Arquivo pessoal

A SAÚDE SEMPRE EM PRIMEIRO LUGAR
A médica observa um maior interesse nas novas gerações em cuidar da saúde e ter bem-estar físico e mental, fazendo melhor uso da medicina preventiva. “Recomendo que rotinas de exercícios sejam realizadas por todos, assim como a busca de atividades ‘válvulas de escape’ e lúdicas. Manter a saúde é fundamental agora.”

VOCAO PARA CUIDAR DAS PESSOAS

Foto: Flávia Rodrigues/FSNH Total dedicação na linha de frente contra a Covid-19. Essa tem sido a rotina da Dra. Bárbara Fior, de 31 anos. Ela é médica intensivista e coordenadora da UTI do Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH), além de trabalhar em UTIs privadas do município.

Formada em Medicina em 2012 pela Universidade de Passo Fundo, é moradora de Novo Hamburgo e casada com outro profissional da saúde, o anestesista Dr. Henrique Dartora. Considera a Medicina a sua vocação e diz sentir-se realizada. “Penso estar fazendo o melhor aos pacientes e às suas famílias. Sempre gostei de cuidar das pessoas, é uma área fascinante e muito ampla. A Terapia Intensiva é minha paixão e contribuir para a saúde de alguém, aliviando o sofrimento, é bastante gratificante e motivador”. Segundo Dra. Bárbara, fora a tecnologia, as possibilidades de recursos na área da saúde motivam a sempre exercer com carinho e qualidade a profissão.

Foto: Arquivo pessoal

DEDICAÇÃO INTEGRAL
Ela conta que o dia a dia geralmente é muito exaustivo, tanto físico quanto emocionalmente, a todos os trabalhadores da saúde. “Gostaria de estar mais próxima da família e dos amigos, além de me cuidar ainda mais em função da Covid-19. Porém, neste momento, as escolhas e prioridades estão em preservar e cuidar ainda mais das pessoas amadas. Então, tudo tem o seu momento, logo estaremos convivendo e juntos novamente.”
Sobre o atendimento à Covid-19, Dra. Bárbara afirma que leitos de UTI não são as únicas armas voltadas ao enfrentamento do vírus: “Tão importante quanto isso é possuir um quadro de profissionais habilitados e qualificados com abordagem multidisciplinar. Felizmente temos à disposição no hospital esses recursos, situação não ocorrida em outros lugares”, destaca.

Ela explica que a formação é bem importante, porque prepara para as situações extremas, quando se deve agir de imediato. “Entre os intensivistas há uma autocobrança muito forte por desfechos positivos. O objetivo maior é recuperar uma vida com qualidade.”

MEDOS E FOCO EM PREVENÇÃO
Todo o cuidado é pouco. As rotinas se modificaram, o uso de EPI por tempo integral é desconfortável, porém, de extrema importância. Colegas se transformaram em pacientes, os médicos se expõem de forma integral, e tudo isso requer muita disciplina para manter o equilíbrio. “A Covid-19 trouxe incertezas e mostrou o quão frágeis somos e como é importante equilibrar o lado pessoal com o profissional.”

De um modo geral, com pandemia ou não, ela alerta que é essencial cuidar da saúde. “Sigamos sempre dedicados mais à prevenção de doenças. E todos devem pensar mais de forma coletiva”, completa.

AMOR PELA MEDICINA E PELA INFNCIA

Foto: Arquivo pessoal Ele entrou na faculdade de Medicina aos 17 anos e, aos 23, já estava formado. Dr. Paulo Afonso Oppermann, hoje com 68 anos, se graduou pela Universidade Federal Ciências da Saúde de Porto Alegre e, mais tarde, fez pós-graduação latu sensu em Pediatria, pelo Hospital Santo Antônio da Santa Casa de Porto Alegre. E ainda fez uma pós-graduação em Gestão Empresarial. Embora aposentado do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, Dr. Paulo não deixou de exercer a profissão tão querida. Hoje, está na Linha de Cuidado da Criança do Centro Clínico Gaúcho, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, atuando como chefe do Serviço de Pediatria. “Trabalho em projetos de cuidados específicos de patologias historicamente desassistidas, como o Centro Multidisciplinar de Cuidado do Traço do Espectro Autista e da condução multidisciplinar da Criança Enurética e do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. São projetos novos que trarão mais segurança às famílias”, informa, orgulhoso pelo trabalho.

PELA EVOLUÇÃO DA MEDICINA
Com duas filhas, quatro netos e morador de Porto Alegre, o especialista é um entusiasta em relação a melhorias na pediatria. “Ainda que os resultados esperados não venham, a miséria e a fome aumentem e a crueldade de guerras e epidemias continue a existir, mesmo assim o médico será o ultimo refúgio de acolhimento buscado pelo ser humano”, se manifesta o pediatra, ressaltando as dificuldades do exercício profissional.

De acordo com Dr. Paulo, poucas vezes na história da Medicina se viu tanta informação e desinformação acerca de uma doença. “O rigor científico, exigido pelos médicos e especialmente pelos pediatras, foi deixado de lado em publicações leigas e até cientificamente renomadas. Isso gerou uma sensação de pânico na população”, lamenta. E dá como exemplo a pediatria, pois certos estudos científi cos (porém sem valor estatístico) imputaram às crianças a responsabilidade pela disseminação do vírus entre adultos, sendo divulgados na mídia. “Ora, crianças são crianças, não são adultos em miniatura tampouco vetores epidemiológicos mais prevalentes se comparados a outras pessoas. Para os pediatras, fica o reforço dessa lição.”

Foto: Arquivo pessoal

SABER OUVIR
Dr. Paulo prega a necessidade de usar o bom senso nas decisões médicas, escutar e instruir as famílias e entender as crianças (inclusive as que ainda não falam). “Ao pediatra é recomendado saber ouvi-las, estimular o aleitamento materno e a vacinação e sempre pautar a conduta no preceito hipocrático no qual a clínica é soberana e de que ‘primo non noncere’, ou seja ‘em primeiro lugar não prejudicar’.”

Publicidade
Publicidade
Publicidade