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SEGURANÇA E INSPIRAÇÃO PARA A VIDA TODA

07.08.2020 por Marcelo Kenne Vicente

No Mês dos Pais, preparamos uma reportagem especial para homenagear aqueles que, das formas mais diversas, fazem o máximo para dar amor e suporte aos filhos.

Foto: Adobe Stock Há vários tipos de pai, desde os que fazem o estilo amigão aos mais sérios. Porém, é fato que hoje não há mais espaço para os autoritários, emocionalmente distantes e pouco participativos na educaçãodos filhos.

Para esta edição da Like Magazine, conversamos com diferentes perfis de homens que nos contam como estão levando suas vidas como pais. Eles falam de suas histórias e como conseguem dar amor incondicional aos filhos, sem se esquecer de saber aliar a amizade com a importância de estipular limites, de transmitir valores positivos e dar o exemplo de caráter.

Começamos com a linda história de um casal homoafetivo e seus filhos. Há 11 anos, eles adotaram dois meninos e formaram a família tão sonhada. O outro relato é de um pai reconstruindo sua vida e tendo como desafio cuidar sozinho do seu filho pequeno e ainda dar atenção ao outro, adolescente, que vive com a mãe. E ainda há a história do pai, de espírito jovem e empreendedor, recentemente presenteado com uma netinha.

PAIS EM DOBRO E AMOR INFINITO

Foto: Arquivo pessoal Airton de Oliveira, 58 anos, é diretor, ator e produtor teatral. Marcos Antonio Buffon, de 57 anos, é administrador e cenógrafo. Eles estão juntos há 25 anos, são casados no papel desde 2018 e, embora o amor um pelo outro já fosse suficiente e incondicional, há 11 anos decidiram fortalecer ainda mais seus laços com a adoção de duas crianças. Os meninos Henrique e José Guilherme, na época com 9 e 4 anos, foram adotados por Airton e Marcos, dando aos dois um novo papel em suas vidas: o de pais.

Marcos comenta que sempre teve vontade de ser pai e, por ele, a adoção ocorreria bem antes. Enquanto isso, Airton resistiu um pouco, apesar de gostar muito de crianças. “A vida profissional era bem agitada, com viagens e horários variados. Mas, acompanhando o exemplo de colegas com o mesmo ritmo de vida, vi que era possível. Então, no fim de 2008 resolvi concordar com o Marcos”, lembra.

COMO OCORREU A ADOÇÃO
Em janeiro de 2009, se dirigiram até o Juizado da Infância e da Juventude e se inscreveram, com a documentação exigida e, a partir daí, passaram por todo o processo de habilitação para adoção como qualquer outro casal ou pessoa que pretende adotar. “Em abril daquele ano, já estávamos habilitados e na lista do Cadastro Nacional de Adoção. Em novembro, recebemos a ligação do Juizado da cidade de origem dos meninos e fomos conhecê-los no dia 26 de novembro”, conta o casal. As crianças visitaram a casa dos futuros pais e, em dezembro, aconteceu a audiência destinada à guarda provisória. “Após o parecer favorável do juiz, os registramos em maio de 2010. O processo foi todo tranquilo e rápido.”

Os pais destacam o apoio recebido. “Temos um grande círculo de amigos, casais com e sem filhos, sempre nos ajudando e dividindo nossas preocupações e alegrias na educação dos meninos. A família abraçou a ideia e os garotos são bem entrosados com tios e primos”, comemora Airton.

Segundo o casal, o sentimento é de realização e, para quem deseja adotar – e falta coragem –, eles dão um recado: “Não é fácil, mas não é diferente de um filho biológico. Não se preocupem com o preconceito, discriminação e problemas de relacionamento.

O Juizado da Infância e da Juventude é acolhedor e está sempre em campanha para que existam mais adotantes. E não tenham medo de adotar uma criança mais crescida!”.

Foto: Arquivo pessoal OS FILHOS E SUAS PERSONALIDADES
Airton observa que os filhos possuem personalidades diferentes. Henrique, hoje com 20 anos, é mais introspectivo e, se deixar, fica o dia inteiro só na dele. Já o José Guilherme, atualmente com 15, é mais expansivo, sempre inventando algo para envolver a todos. “Enquanto o Henrique gosta mais de jogar futebol com amigos, e o Gui prefere basquete, capoeira e dança.”
E há também as atividades em família, como cozinhar, passear, jogar cartas e Banco Imobiliário, entre outras. Infelizmente, a pandemia mudou muito a rotina. “Como o Henrique está no Exército, achamos prudente ele ficar lá. O Guilherme não sai de casa e, desde março, está tendo aulas on-line.”

O casal conta que, como pais, aprenderam a ser mais pacientes e administrar problemas e divergências. É uma troca intensa e constante.

DOIS PAIS AMANDO E EDUCANDO
Airton e Marcos explicam que foi supertranquila a assimilação dos meninos quanto ao fato de serem filhos de dois homens: “Com o passar do tempo, eles conheceram colegas e amigos com dois pais ou duas mães. Entendem bem a nossa constituição familiar e ‘dobram’ muitos conservadores. Não estamos nem aí para o que os preconceituosos pensam.”

OS DESAFIOS SÃO MUITOS, MAS O CARINHO É MAIOR

Foto: Arquivo pessoal Há fatos que transformam a vida das pessoas para sempre e de um jeito inesperado, exigindo delas mais coragem e força para vencer os desafios. Cabeleireiro e proprietário de uma barbearia, a Garagem 59, localizada em Campo Bom (RS), Rafael Barbosa dos Santos é um exemplo disso. Com 37 anos de idade, ele é pai de dois meninos: Gabriel, de 17 anos, filho de uma antiga namorada, e Gustavo, hoje com 10 e filho de sua ex-esposa, Marcele, que infelizmente perdeu sua vida recentemente vítima de câncer de mama.

Por esse motivo, Rafael tem se reconstruído com o propósito de reforçar os cuidados com o filho mais novo, pois hoje o pai é a principal referência do menino.“A Marcele era mais presente no dia a dia do Gustavo, mas eu procurava ajudar da melhor forma. Agora, é tudo comigo e faço o impossível para educá-lo, com o auxílio dos meus irmãos Daniel, Luciane e Rosane, além do meu sogro.”

Emocionado, ele prefere lembrar os bons momentos do casamento de 15 anos. “Construímos tudo juntos. Foi uma mulher trabalhadora e guerreira que, com certeza, sempre será um exemplo para o Gustavo.”

Foto: Arquivo pessoal

MUDANÇAS NA AGENDA DIÁRIA
Para poder ficar mais tempo com o Gustavo, Rafael reorganizou sua agenda de compromissos. “É uma nova realidade e, juntos, temos conseguido nos virar bem. Com as minhas orientações, o Gustavo até ajuda nas tarefas de casa.” Sobre as aulas, as atividades do filho mais novo ocorrem no modelo on-line e Rafael procura acompanhar. “Esse é um período difícil, mas, apesar da rotina profissional corrida, normalmente estou junto dele”, afirma.

Segundo o cabeleireiro, os acontecimentos diários vão o ensinando a ser um pai melhor, e o carinho dos filhos é recompensador. Rafael decidiu não abrir mais sua barbearia aos sábados e, assim, pode estar mais tempo ao lado dos filhos nos fins de semana. De acordo com ele, o Gabriel está naquela fase na qual prefere ficar sozinho, apenas com seus games. Já o Gustavo é parceiro do pai para fazer trilhas de bicicleta e andar a cavalo, além de jogar bola. “Quando este período da pandemia terminar queremos voltar a ver jogos do Inter no Beira-Rio. Também pretendemos viajar, como fazemos sempre, à Santa Catarina e, num futuro próximo, ir ao Nordeste brasileiro.” E finaliza: “Ser pai é lindo, é tudo de bom”.

AMIGO E MENTOR
Rafael se considera um pai carinhoso, embora existam situações nas quais precisa ser mais rígido. “Fui educado dessa forma. Comecei a trabalhar com 15 anos e hoje temos uma situação relativamente boa, resultado desse esforço. Sei dosar as coisas, cada situação é uma situação”, explica.

Com o adolescente Gabriel, o maior cuidado está em orientá-lo no que diz respeito ao início da vida adulta. Ele está no último ano do Ensino Médio e logo será hora de escolher uma carreira e entrar na faculdade. “Quero ajudá-lo a escolher o melhor caminho. Embora não more comigo, o acompanho de perto.”

Foto: Arquivo pessoal

A FAMÍLIA É A MAIOR CONQUISTA

Foto: Arquivo pessoal Uma carreira de prestígio como fotógrafo que ultrapassa as fronteiras do Brasil. Esse é Everton Rosa, de 46 anos e há quase três décadas empreendendo e captando imagens que, inclusive, já foram publicadas em veículos internacionais e campanhas de empresas do exterior, como a Apple.

Nascido em Chapecó (SC) e morador da região do Vale do Sinos desde os anos 1980, Everton hoje divide sua rotina em três moradias: Novo Hamburgo (RS), Xangri-Lá (RS) e também São Paulo (SP), essa última a principal frente do seu trabalho.

E ao mesmo tempo em que construiu uma carreira de sucesso, formou uma bela família. É casado com a administradora Patricia Rosa, de 43 anos, tem três filhos e, mais recentemente, se tornou avô.

A primeira experiência com a paternidade foi aos 22 anos, quando Patricia deu à luz o Victor, hoje com 24. Mais tarde, vieram a Maria Luiza, atualmente com 8 anos, e o pequeno João, de 4 anos. E como presente em 2020 ganhou uma netinha, a Maia, hoje com 6 meses e filha de Victor.

EXPERIÊNCIA COMO PAI E AVÔ
Para o fotógrafo, há diferenças entre ser pai aos 22 anos e próximo dos 40. “Quando a Patricia ficou grávida do Victor, ainda não éramos casados e foi uma surpresa. Posso dizer que fiz todo o possível para participar do crescimento dele. Aí, muito tempo depois, chegaram a Malu e o João e, com eles, um entendimento mais claro sobre a paternidade.” Ele afirma ter como referência a educação recebida de seus pais e se considera um pai amigão dos filhos, mas com a preocupação de não mimá-los. “Sou duro quando é preciso, mas também procuro ser amável, compreendendo as dificuldades de cada um.”

Sobre a relação com o filho mais velho, Everton se orgulha com o sucesso de Victor como produtor de vídeos, seguindo, de certa forma, os passos do pai na paixão por imagens. “Mas nosso ponto em comum não é só esse. Quando há oportunidade, viajamos juntos de carro”, conta. Com os mais novos, as horas livres são para brincadeiras: “Enquanto o João gosta de carrinhos, jogar bola e andar de patinete, a Malu prefere desenhar e andar de overboard, com a minha ajuda”. E então veio a Maia, nascida um pouco antes de começar o isolamento social no Brasil. Por isso, Everton ainda não criou uma rotina de contato presencial e a vê mais por fotos e vídeos, respeitando este momento de distanciamento controlado. “Acompanhei todo o período de gravidez e penso que meu comportamento como avô é igual ao de pai. O amor e a sensação de responsabilidade são os mesmos.”

Foto: Arquivo pessoal

PATERNIDADE VERSUS PROFISSÃO
Por causa do trabalho, o empresário não consegue estar com os filhos o tempo todo, mas diz não se sentir culpado por isso, pois seu sucesso profissional é a garantia de uma vida melhor para eles. “Muita gente fica se lamentando quando está longe, mas tudo depende de estratégia e organização.

Você sabe que, por algum tempo, se ausentará, e esse fato é parte de algo mais relevante: o futuro das crianças.” Porém, ele não costuma ficar mais de três dias longe dos pequenos. Quando terminar a quarentena, Everton pretende colocar em prática o plano de viajar com a família para os Estados Unidos.

Foto: Arquivo pessoal

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