- Gente -

A NEGRA E CRESPA DUDA BUCHMANN

27.07.2020 por Bruna Kirsch

Uma mulher linda, inteligente, forte, bem resolvida e que se orgulha de dizer que é negra e crespa. Tanto é que este foi o nome que Eduarda Goulart Buchmann, 27 anos, mais conhecida como Duda, escolheu para o seu perfil, o @negraecrespa, que tem mais de 62 mil seguidores no Instagram. A criadora de conteúdo digital, de Porto Alegre, iniciou na rede social em 2014: “Meu objetivo inicial era mostrar a variedade de cabelos (principalmente os ‘não perfeitos’). Hoje é mostrar um pouco de mim e mostrar para cada mulher negra o seu valor, seja com incentivo ou boas histórias”.

Foto: Divulgação E o que começou como um hobby, acabou virando profissão, e atualmente inspira a vida de muitas mulheres negras. Confira aí a entrevista completa.

Like Magazine - Que dicas você daria para melhorar a autoestima da mulher negra?
Duda Buchmann - A maior dica é não deixar para se perceber no futuro, o “aqui e agora” já tem seu grande valor. O que pode parecer que esteja nos incomodando é tudo físico, se formos do bem já vale muito.

Qual é o seu truque para realçar a beleza da mulher negra?
Duda - Tudo aconteceu para mim quando eu percebi que já tinha o cabelo mais maravilhoso do mundo. Então, vou ter que dizer que o meu truque é um cabelo com bastante volume fazendo a moldura do rosto, mas esse é o meu caso. Eu amo mulheres carecas e de cabelo curtinho também.

E como você enxerga a indústria da beleza para mulheres negras?
Duda - A evolução nos últimos cinco anos é absurda! Acho que estamos caminhando para algo muito bacana, as empresas estão espertas. Então, felizmente, há cada vez mais opções no mercado em se tratando de pele negra e cabelo afro.

Sobre moda, qual é o seu estilo? O que valoriza a mulher negra?
Duda - Sou do time do mais confortável, não gosto de salto alto ou roupas muito apertadas. Peças básicas me ganham. Eu amo amarelo e sempre achei que cores quentes valorizam a pele negra.

Antirracismo: quais são as suas dicas para que as pessoas mudem o seu comportamento?
Duda - Tudo está na base do respeito e da percepção dos ambientes que frequentamos. Onde estão os negros? Eles estão no mesmo espaço? Fazendo o que: servindo ou em cargos de chefia?

Por que você considera a representatividade negra tão importante?
Duda - Se você vê um negro em um local de destaque, logo vai passar a percepção de que você pode estar em um lugar como aquele. Por exemplo, por isso que insistimos tanto para produções midiáticas usarem negros não só como escravos, bandidos ou empregadas domésticas (com todo respeito a essa profissão). A pluralidade negra vai muito além disso e todo mundo precisa saber.

Como vê todos esses movimentos que estão ocorrendo pelo mundo, buscando a valorização de pessoas negras?
Duda - Essencial! É importantíssimo termos a nossa voz atingindo mais pessoas e sabermos que a luta antirracista é de todos.

Qual é a expressão correta: pessoas negras ou pretas?
Duda - Esse questionamento não existia até o Babu falar no Big Brother e confundir todo mundo, inclusive eu (risos). Fui estudar e descobri que em alguns países da África e nos Estados Unidos as pessoas não gostam de serem chamadas de negras, preferem pretas. Mas aqui no Brasil aconteceu um movimento negro que naturalizou e empoderou essa palavra. Com boas intenções, qualquer um pode ser usado.

Você e a sua irmã são adotadas, ela é branca e você é negra. Como lidam com isso?
Duda - Essa questão nunca foi um problema. A gente foi aprendendo a entender as diferenças. Minha irmã, Manuella, tem 23 anos. Não sei se assim foi melhor, mas lidamos bem com tudo. A questão de eu ser negra de pele clara me camufla em muitas questões.

Você também levanta a bandeira da causa feminista, certo?
Duda - Sou feminista. E é fundamental todo mundo olhar para o feminismo negro, é uma parte “escondida” do feminismo, pois é bem mais profunda, já que a mulher negra está na base da pirâmide social. É uma luta diária, temos que ser três ou quatro vezes melhores do que outras para conseguirmos algo minúsculo. Acho que se todo mundo se unir para o antirracismo de verdade, a gente vai conseguir que as mulheres negras conquistem mais espaço.

Quais são as suas dicas para outras mulheres negras se sentirem empoderadas?
Duda - A minha maior dica é se ver com amor, que a gente tem capacidade de ocupar outros espaços. Somos lindas e fortes e, principalmente, não estamos dispostas a engolir sapo!

EXPRESSÕES RACISTAS QUE PRECISAM SAIR DO SEU VOCABULÁRIO

Por @negraecrespa (veja mais no perfil do Instagram)

• Denegrir: quem sabe você substitui o termo por “difamar”?

• Mulata: a palavra vem de mula, um ser híbrido originado pela reprodução de burro com égua. Correspondia ao filho do homem branco com a mulher negra. Esqueça palavras como mulata, moreno (pele) e pardo. Refira-se como negro ou preto.

• A coisa tá preta: basta dizer “a coisa tá ruim”.

• Inveja branca: a intenção é amenizar um sentimento ruim. “Inveja boa”, como assim? Que tal trocar por um elogio?


Publicidade
Publicidade
Publicidade