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O AMOR SEM MEDIDAS ENTRE AVÓS E NETOS

23.07.2020 por Marcelo Kenne Vicente

Em homenagem ao Dia dos Avós, 26 de julho, contamos um pouco da rotina de dois casais com seus netos e também discutimos o impacto emocional dessa relação.

Foto: Adobe Stock Não é fácil mensurar e adjetivar a importância dos avós na vida dos netos. Primeiro porque eles são fontes de apoio emocional às crianças e adolescentes. Segundo porque ajudam no desenvolvimento dos jovens, a partir da transmissão de valores familiares e culturais. E o contrário também é verdade. Há uma troca, conforme explica Katiele Sander Nunes, psicóloga da Unimed Vale do Sinos e terapeuta cognitiva comportamental: “É comum os avós serem os cuidadores integrais ou eventuais dos netos e esse envolvimento emocional representa uma nova motivação à vida, a possibilidade de reviverem suas histórias e de serem admirados pelos jovens.” Ao se sentirem amados e queridos pelos netos, afirma a psicóloga, os avós atribuem significado e atitudes mais positivas vinculadas ao envelhecimento.

SITUAÇÃO ATÍPICA

Diante deste momento de distanciamento controlado, há a preocupação relacionada às respostas emocionais de avós e netos. O convívio fica mais difícil, o que, como consequência, pode deixar as partes com saudades ou, quando o contato pessoal ainda é possível, existe o alerta para medidas de proteção, dificultando abraços, beijos e colo. “Algumas crianças podem manifestar suas emoções desagradáveis através de pesadelos, por exemplo. Além disso, ficam mais propensas a doenças psicossomáticas, como dor de cabeça, diarreia e náuseas. Portanto, cabe aos familiares ficarem atentos aos sintomas e às mudanças de comportamento”, informa.

Já com os avós, segundo Katiele, o isolamento dos netos pode gerar um sentimento de impotência e tristeza devido ao rompimento na rotina de cuidar e participar ativamente da vida dos netos. “No caso dos que cuidam das crianças diariamente, há o perigo de experimentarem o estresse e a ansiedade por não terem um maior contato físico.” Sendo assim, se faz necessário estabelecer um espaço de diálogo entre os avós, pais e filhos, pois isso ajuda a lidar com a angústia e o medo.

A COMPLEXIDADE DO MOMENTO

Foto: Adobe Stock Conversar com a criança, por meio de uma linguagem adequada, clara e empática, é relevante porque há de se considerar como é complexo para ela compreender esta época. “Pode-se falar sobre a metáfora da lagarta, que passa por situações difíceis, ficando um tempo dentro do seu casulo. Porém, durante esse período, ela desenvolve suas lindas asas para se transformar em uma borboleta. E, assim como o bichinho, a criança precisa ficar dentro de casa a fim de se proteger e também proteger o vovô e a vovó do vilão coronavírus”, comenta Katiele, ressaltando a importância de permitir à criança expressar suas emoções.

O CONTATO VIRTUAL

O uso da tecnologia auxilia a reduzir a saudade e as emoções desagradáveis, sendo muito bem-vinda na atualidade e serve como apoio para manter e estreitar os vínculos. “Tenho sugerido aos pacientes o envio de fotos ou vídeos do seu filho fazendo atividades prazerosas, como uma forma de expressar carinho e cuidado.

Também fazer chamada de vídeo, que permite que ambos visualizem que o outro está bem. É possível ainda, por ligação ou vídeo-chamada, fazer brincadeiras, contar histórias e receber a ajuda dos avós em tarefas da escola.”

REFORÇO AOS CUIDADOS

Vivemos um momento atípico e a proteção dos envolvidos deve ser redobrada, especialmente em relação às pessoas acima de 60 anos, sejam essas sem problemas de saúde ou, mais ainda, que possuem co-morbidades, como hipertensão arterial e diabetes.

Nessa situação, por causa das escolas fechadas, os avós ficam como responsáveis por cuidar das crianças enquanto os pais trabalham. “O básico, para quando ocorrer o contato pessoal, é utilizar máscaras, higienizar sempre as mãos com álcool em gel ou água e sabão, não compartilhar objetos e utensílios (talheres, copos, etc.), usar a etiqueta da tosse ao tossir e espirrar”, destaca o Dr. Marcelo Bitelo da Silva, médico infectologista e coordenador médico do Serviço de Controle de Infecção e Segurança do Paciente da Unimed Vale do Sinos.

O profissional explica que, quando netos e avós não residem no mesmo domicílio, deve-se verificar continuamente se as partes apresentam sintomas respiratórios, acompanhados de febre. “Nessa situação, não pode haver contato pessoal.”

DICAS DE PROTEÇÃO ENTRE AVÓS E NETOS
• Evite tocar no rosto, dar beijos e abraços.
• Respeite o distanciamento mínimo de 1,5 metros, sempre que possível.
• Evite aglomerações nas residências.
• Mantenha ambientes limpos, arejados e ventilados.
• Higienize as superfícies com álcool 70% ou outro produto saneante.

ROSE, VALDEMAR E SEUS PEQUENOS

Foto: Arquivo pessoal Ser avô é uma experiência diferente, pois dá para curtir mais os netos do que quando os filhos eram pequenos. “A gente aprende muito e passa experiência, amor e carinho. É bem positivo”, destaca Rose Masselli, 65 anos, casada com Valdemar Masselli, 66, e moradora de Novo Hamburgo.

Ela é professora de inglês e ele é químico, e ambos continuam trabalhando, apesar do isolamento social. Rosane tem um escritório próprio e dá aula a distância. Já Valdemar é consultor em três empresas da região e, no momento, fica metade do tempo em casa e a outra em visitas.

A PROXIMIDADE COM OS NETOS

Eles têm dois filhos, Felipe e Lívia, e três netos: Guilherme, de 4 anos, Arthur, 3 anos, e Vicente, 2 anos. Enquanto Guilherme e Vicente – filhos do Felipe – moram em Estância Velha, o Arthur (da Lívia) vive no mesmo prédio dos avós. Por causa disso, nesta época de pandemia, o distanciamento em relação ao Arthur está sendo mínimo. No caso dos outros, o contato é menor. Sempre que possível, principalmente aos domingos – e considerando os cuidados necessários à proteção quanto à Covid-19 –, os filhos levam as crianças para visitar Rose e Valdemar.

A avó lamenta que quando seus netos não estão próximos a casa parece vazia. “Sentimos muito a falta deles. Estão sempre na nossa mente e são parte das nossas conversas diárias, dos nossos objetivos e planos.”

AVÓS PARTICIPATIVOS

Rose lembra que, apesar de trabalharem muito, não deixam de participar do desenvolvimento dos netos. “Procuramos estar presentes nas atividades habituais deles, levando-os à natação, à aula de música ou buscando na escola. Adoramos reuni-los aqui em casa.” Há também os encontros na casa do casal, localizada em Gramado. Outra tradição da família são as viagens. “Todos os anos nós (avós, filhos e netos) vamos a lugares diferentes, como Buenos Aires, Punta del Este, Santa Catarina, priorizando locais onde as crianças possam se divertir.” Quando tudo voltar ao normal, eles pretendem planejar viagens só com os netos.

ROSANI E LORIVAL COM SUA TURMINHA EM CASA

Foto: Arquivo pessoal O casal Rosani Mees, 61 anos, e José Lorival Mendes Leal, 62 anos, moradores de Novo Hamburgo, têm o orgulho de ter constituído uma família que pode ser considerada como grande nos dias atuais: são quatro filhos e cinco netos. O mais velho é o Cauã, 15 anos, e a caçula é a Antonella, 1 ano, ambos do filho Jeferson. Já a filha Estefani tem duas meninas: Maitê, 7 anos, e Helena, 2 anos. E há o neto Enzo, 4 anos, do filho mais velho do casal, o Douglas. Tem também a filha Morgana, sem filhos por enquanto.

A PROXIMIDADE DOS NETOS

Eles têm dois filhos, Felipe e Lívia, e três netos: Guilherme, de 4 anos, Arthur, 3 anos, e Vicente, 2 anos. Enquanto Guilherme e Vicente – filhos do Felipe – moram em Estância Velha, o Arthur (da Lívia) vive no mesmo prédio dos avós. Por causa disso, nesta época de pandemia, o distanciamento em relação ao Arthur está sendo mínimo. No caso dos outros, o contato é menor. Sempre que possível, principalmente aos domingos – e considerando os cuidados necessários à proteção quanto à Covid-19 –, os filhos levam as crianças para visitar Rose e Valdemar.
A avó lamenta que quando seus netos não estão próximos a casa parece vazia. “Sentimos muito a falta deles. Estão sempre na nossa mente e são parte das nossas conversas diárias, dos nossos objetivos e planos.”

CONVÍVIO DIÁRIO

A relação entre os dois e sua turminha é de proximidade e, nesta época diferente, surgiu a necessidade de os avós – ela dona de casa e ele aposentado – serem os responsáveis por cuidar dos netos durante a manhã e a tarde. O motivo é o mesmo de muitos brasileiros: escolas fechadas e pais precisando ganhar a vida se deslocando ao trabalho.

Rosani conta que, por serem cinco netos, o dia a dia é bem atarefado. “Quando chegam, já ofereço o café, assistem a desenhos por um determinado tempo e, como nossa residência possui um pátio grande, as crianças têm bastante espaço destinado às brincadeiras. Exijo isso deles, não deixo assistirem à televisão e ficarem no celular o dia inteiro.” No caso da Maitê, ela precisa acompanhar as aulas on-line e, por isso, os avós auxiliam com as tarefas escolares. “Meu marido e eu passamos o dia envolvidos em entretê-los e ajudá-los. Como as crianças ficam por tempo integral conosco, a educação fica por nossa conta. Há horários definidos à alimentação, às brincadeiras, ao estudo e ao descanso”, afirma.

PROTEÇÃO E ALEGRIA

Sobre o distanciamento, Rosani reforça que todos os cuidados necessários são tomados, especialmente quanto à higiene. Os avós ensinam e orientam os netos a lavarem as mãos com frequência e o casal não recebe outras visitas. O mais importante de tudo é a felicidade que as crianças levam para a vida de Rosani e José Lorival, pois eles são a alma e a alegria da casa dos avós.

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