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MÃE EM TEMPO INTEGRAL

08.05.2020 por Bruna Kirsch

Conheça as histórias de três mulheres que, durante os dias de distanciamento social, tiveram que se desdobrar para dar conta das suas profissões, dos cuidados com a casa e com os filhos.

Se para quem é mãe o desafio das últimas semanas foi enorme, para os filhos, os dias serão lembrados com muita alegria e amor. Sim, o distanciamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em função da pandemia do coronavírus, exigiu que muitas famílias ficassem reclusas em suas casas.

Foram mães e pais trocando os escritórios das empresas pelo home office, crianças recebendo atividades das escolas pela Internet, e famílias dispensando funcionárias e faxineiras para evitarem o risco do contágio da doença. O cenário fez com que as pessoas repensassem seus papéis dentro de seus lares. Quem vai cozinhar? Quem vai limpar a casa? Quem vai brincar com as crianças e auxiliá-las nas tarefas escolares? Um desafio e tanto para uma geração tão ativa e que não pode abrir mão de suas profissões. O resultado foi um acúmulo de atividades, principalmente para as mamães, mas também momentos inesquecíveis de brincadeiras e interação com os filhos.

Fomos atrás de três histórias de mulheres incríveis (como profissionais e como mães) que nos contaram como deram conta do recado. Apesar do cansaço diário, todas afirmaram: o coronavírus trouxe uma aproximação especial e necessária, que elas continuarão buscando mesmo após este período passar. Um feliz Dia das Mães a todas!

GRACE

Foto: Arquivo pessoal A empresária de Novo Hamburgo, Grace Scherer, 33 anos, é mamãe do Guillermo Scherer Dossena, de 1 aninho, fruto do relacionamento com o dentista Rafael Dossena. “Estamos de quarentena em casa desde o dia 20 de março. Apesar de toda a fase crítica pela qual passamos em âmbito mundial, estamos tendo a melhor experiência das nossas vidas: ficar exclusivamente com o nosso pequeno. Isso não aconteceria de forma natural (a não ser nas férias, o que é diferente) e essa situação nos levou a pensar em como o tempo é precioso e como passa rápido, e que precisamos parar um pouco a nossa rotina semanal tão doida para nos dedicarmos mais a ele. Criamos um elo ainda mais forte entre nós três. A rotina de 24 horas por dia juntos, de certa forma, foi transformadora e um período de descobertas”, explica.Com a quarentena, Grace passou a fazer ainda mais atividades com o seu pequeno. “A gente está sempre estimulando ele a brincar com joguinhos de montagem, a fazer pinturas... Como ele já estava indo na escolinha, eu recebo as atividades das professoras e faço com ele. Também gosto de colocá-lo pra cozinhar comigo, ajudar a fazer bolo, cookies... Suja tudo, mas é muito divertido. Além disso, priorizamos o contato com a natureza. Como moramos em um condomínio fechado, eu procuro todos os dias caminhar com ele, comer fruta direto do pé e sentar à beira de um laguinho para ele brincar na grama. Coisas que eu não tinha tempo de fazer antes e agora tenho. E o Rafael mais ainda, ele saía cedo para trabalhar e quando voltava tinha pouco tempo com o Gui. Ele está numa fase muito boa, começando a caminhar, e notamos que deu um salto muito grande na parte de interação conosco”, observa a mamãe.

TAREFAS ADAPTADAS
Em casa, Grace acabou dispensando sua funcionária durante o período do isolamento social. “Nossa rotina sempre foi muito prática, e sem a nossa funcionária, a parte de limpeza, organização e comida está sendo bem tensa. Moramos em uma casa com dois cachorros peludos. Eu amo cozinhar, isso tiro de letra. Mas e a louça suja depois? Na limpeza, eu e o Rafael nos dividimos bem, já as roupas ficam comigo e o jardim e os cachorros com ele”, conta.

Além dos cuidados com a casa e com o filho, a empresária revela que necessita trabalhar home office, o que se torna muito complicado com o bebê em casa. “Tentamos organizar dias, horários e tarefas, mas confesso que mesmo assim é complicado. Eu não chamo de home office, mas sim de hell office”, brinca. Ela revela que os avós também fazem falta na rotina de criação do pequeno. “Eles estão em isolamento e morrendo de saudade dos netos. Minha mãe sempre cuidou do Gui, praticamente todas as manhãs eu contava com a ajuda dela. Na parte da tarde, ele ia para a escolinha. Já a minha sogra vinha todos os domingos e ficava até terça, pois ela mora em Porto Alegre e não dirige, o que também nos auxiliava muito”, explica.

COMEMORAÇÃO ESPECIAL
A festa de 1 aninho do pequeno Guillermo, em 21 de março, vinha sendo planejada há meses com muito carinho pela mamãe e pelo papai, mas teve que ser cancelada uma semana antes em função das medidas preventivas de isolamento social. “Como o Gui nasceu prematuro, de 33 semanas, foram 15 dias de UTI neonatal, onde os avós só podiam ver o neto pelo vidro. Quando ganhamos alta, ficamos quatro meses em isolamento, por recomendação médica. Por ironia do destino, em sua festa de 1 aninho também foi assim, mas não menos comemorada. Foi um momento de muito agradecimento e amor. Recebemos os doces e as tortas que já estavam pagos e passamos um belo dia, nós três, e longas semanas de doces na geladeira”, reflete Grace.

PATRÍCIA

Foto: Arquivo pessoal Empresária e mãe de três filhos, a rotina de Patrícia Figueiredo Wiesel, 35 anos, de Gramado, mudou completamente nas últimas semanas, quando ela passou a aderir ao isolamento social com a sua família. Sofia Figueiredo, 15 anos, Pedro Wiesel, 5, e Martina Wiesel, 3, estão vivendo, segundo a mãe, “as férias da vida, com os pais em casa pela primeira vez”, brinca. “Talvez este seja o grande recado do coronavírus, voltar para dentro de si, para dentro dos seus”, reflete.

Patrícia conta que ficou por cerca de um mês direto em casa com a família. “Dispensamos a nossa funcionária para que ela também se cuidasse e eu acumulei praticamente todos os cuidados com a casa, entre refeições e brincadeiras. A casa nunca fica limpa, não existe silêncio. Quando eles dormem e eu acho que finalmente vou ver um filme que não seja desenho animado, desmaio no sofá”, afirma. E ser mãe em tempo integral demanda muita criatividade e paciência. “A mais velha está com aulas virtuais e inclusive com provas. Mas os pequenos não. Então todos os dias vou com eles na pracinha do condomínio para passarmos a tarde. Lemos livros, brincamos ou pintamos. É caótico, mas muito divertido”, lembra.

MUDANÇA DE ROTINA
Patrícia é empresária e proprietária de um restaurante que fica dentro de um parque de diversões em Canela, e que, até o fim de abril, continuava fechado em função da pandemia do coronavírus, sem data prevista para reabertura. Seu marido, Gustavo Wiesel, também é dono de um restaurante, que já voltou a operar com delivery e deve reabrir em breve. Porém, durante os dias de isolamento social, ele continuou trabalhando em home office. “Como mãe, empresária e dona de restaurante, o meu dia a dia costuma ser muito corrido. Nunca estou em casa, inclusive aos fins de semana, justamente por morarmos em uma cidade turística. Não temos feriados, férias, Natal... Estamos sempre na contramão”, aponta.

Por isso, descreve com alegria os dias de isolamento social. “Estes momentos em família têm sido muito prazerosos. Somos privilegiados por termos um quintal, morarmos em um condomínio fechado. Assim, podemos sair por aqui mesmo, dar uma volta, ver os peixinhos no laguinho. As crianças adoram”, completa. O que mais pesa, segundo ela, é o afastamento dos avós. “Eles sentem muita falta dos netos e os netos deles. Nós tentamos explicar que vai passar rápido e que logo estaremos todos juntos, mas por dentro eu só rezo para que todos fiquem bem, não importa o tempo que leve”, afirma.

LIÇÃO DE AMOR
Para Patrícia, grandes lições podem ser tiradas destas últimas semanas, especialmente quando se trata de maternidade. “A pandemia me mostrou que eu posso ser empresária, mas não preciso deixar de ser mãe por causa disso. Cada minuto com meus filhos vale a pena. Eu canso,
óbvio. Mas gostaria que não tivesse precisado chegar a algo tão ruim pra aprendermos a lição.
Posso dizer que foi com o coronavírus que eu me tornei muito mais mãe”, admite.

TAÍS

Foto: Arquivo pessoal Taís Manique de Castilhos, 40 anos, é mãe dos trigêmeos Júlia, Cecília e Tiago Castilhos da Silva, de 8 anos. A vendedora externa, moradora de São Leopoldo, conta que o isolamento social começou, para ela, no dia 28 de março. “A quarentena, apesar de ser por um motivo que nos angustia e preocupa bastante, tem sido uma oportunidade de estar mais perto dos meus filhos. Eu já ficava com eles na parte da manhã, antes do isolamento social começar. Mas, claro que ficar o dia inteiro em casa com eles mudou muito a minha rotina, principalmente a profissional. Como trabalho na área comercial e tenho uma carteira grande de clientes que me chamam pelo WhatsApp e me ligam o dia inteiro solicitando orçamentos e produção de materiais, eu me desdobro para dar conta de tudo. Tento conciliar os atendimentos e, ao mesmo tempo, as crianças em casa. Está sendo bastante desafiador e cansativo pra mim”, conta. Apesar disso, Taís é extremamente agradecida pela sua família. “Sou muito grata por tudo que tenho, principalmente, pela saúde dos meus filhos. Eu me sinto muito abençoada por ser mãe de trigêmeos, por ter eles em minha vida. Tudo que eu faço é pensando neles e por eles. Embora seja cansativo e estressante cuidar de três crianças, não tem um dia que eu não me emocione com algo que eles falem ou façam.”

PAPÉIS ACUMULADOS
Como seus filhos estão em idade escolar, Taís também teve que assumir o papel de auxiliá-los nas atividades que a escola envia diariamente para serem feitas em casa. “Por mais que já saibam ler e escrever (estão no terceiro ano), eu tenho que ajudar nessas atividades, explicando os conteúdos, esclarecendo as dúvidas, intercedendo quando eles se desentendem”, diz. Sobre a rotina doméstica, Taís aponta que não mudou muita coisa, já que sempre se virou sozinha. “Desde quando eles nasceram, sempre fiz todas as tarefas da casa: comida, louça, roupas, limpeza. É cansativo mas eu gosto. Faço tudo com muita disposição e sempre com muito amor.”

Além disso, ela diz que seu marido, Júnior Ferreira, continua trabalhando, mas em tempo reduzido, portanto, pode contar com a sua ajuda principalmente à noite, para os momentos do banho e do jantar das crianças. “Quem faz muita falta é a minha mãe, que mora em Caxias do Sul e costumava vir nos visitar. Ela me ajudava bastante com as crianças e com as tarefas da casa. Porém, como ela e meu pai são do grupo de risco, estão em isolamento social”, diz. O jeito que a família encontrou para matar a saudade foi por meio de aplicativos. “Converso com eles todos os dias por WhatsApp e sempre que possível fazemos chamadas de vídeo”, conta.

APRENDIZADO
Durante o período de quarentena, Taís revela que aprendeu muita coisa. “Primeiro que devemos estar mais perto de quem amamos. Sinto muito a falta dos meus pais e dos meus amigos. Mas, sei que esta distância é necessária e temporária. Meu marido e eu gostamos muito de reunir todos aqui na nossa casa para fazermos jantares e almoços aos domingos. Está sendo muito difícil não poder sair, não poder convidar ninguém para vir até a nossa casa. É estranho ficar tanto tempo convivendo só com nós mesmos. Mas, até o momento, vejo que estamos nos saindo muito bem! Procuro, todo dia, inventar algo novo: uma receita nova, uma brincadeira nova. E as crianças estão adorando toda essa dedicação e carinho”, ressalta.

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