- Gente -

Clarice Falcão e a sua relação com a depressão em novo CD

15.07.2019 por Taila Rheinheimer Schmidt

"Nunca fiz nada que mostrasse tanto quem eu sou de verdade. Com os buracos todos." Com esta frase publicada em seu perfil no Instagram, Clarice Falcão define e dá o pontapé inicial na divulgação de seu terceiro álbum de estúdio, Tem Conserto. Muito conhecida pelo humor, já que atuou por muitos anos no canal de sucesso Porta dos Fundos, dessa vez Clarice está diferente do que muitos conhecem. A começar pelo tom mais intimista das fotos de divulgação deste trabalho publicadas aqui. O certo é que ela vem se experimentando desde 2013 como cantora, quando lançou Monomania e adotou uma postura menos “divertida”. Mas com a experiência e ritmo do palco ela vem ganhando confiança e promete um novo show mais dançante e com pitadas de humor. Porto Alegre foi escolhida para ser sede de um dos cinco shows de lançamento agendados para esta primeira fase. Será dia 2 de agosto, no Bar Opinião (veja serviço).

Foto: Pedro Pinha/Divulgação

Em conversa por telefone, Clarice já dá pistas de como é este novo trabalho e o que os fãs poderão esperar. O certo é que a artista deixou o lado brincalhona, também visto em seu CD Monomania de 2013, para outro momento e está trazendo um assunto muito sério e pouco discutido à tona: a depressão. Apesar de não ter problemas em afirmar que sofre da doença, Clarice falou abertamente sobre como é tratar deste tema em seu novo álbum. “De uma forma mais direta posso dizer que apresento o meu lado mais vulnerável com este trabalho.” Produzido por Lucas de Paiva (Alice Caymmi,Mahmundi, Silva), o disco traz nove faixas inéditas que exibem uma artista motivada pela própria vulnerabilidade e, enfim, confortável em explorar algumas das questões mais profundas sobre ela mesma.

Foto: Pedro Pinha/Divulgação

Em Tem Conserto, Clarice constrói um arco narrativo inspirado pela própria experiência com ansiedade extrema e depressão profunda, distúrbios que a acompanham desde a adolescência. Mesmo quando obviamente fala dela mesma, como no single Minha Cabeça, a cantora e compositora o faz de forma que não afasta os ouvintes, pelo contrário; é difícil inclusive, em tempos como os nossos, não se identificar com as tormentas internas descritas ao longo da música. “Minha cabeça me faz crer que eu sou doida e aí me deixa doida, vê só a ironia”, trecho da faixa de abertura. Se a primeira metade do álbum nos arrasta ao fundo do poço, a etapa final nos leva à euforia completa. Para quem ficou curioso, o álbum está disponível em todas as plataformas digitais!

Foto: Pedro Pinha/Divulgação

• Like Magazine - Como é a sua relação com a depressão, tema que norteia este trabalho?

» Clarice Falcão - Aos 16 anos tive minha primeira crise de depressão e fui entendendo que era assim. Convivo bastante com isso, de ter épocas em que estou mais ansiosa, e épocas em que estou mais deprimida. Lembro na adolescência de passar algumas semanas na cama, sem conseguir levantar, com muita depressão, tristeza e sem muito motivo. E é assim até hoje eu lido com episódios de depressão e de ansiedade também. A minha família, de uma forma geral, lida com isso há muito tempo. Meu avô se matou aos 45 anos e minha mãe escreveu um livro (Queria Ver Você Feliz ) sobre a história de amor conturbada dele com minha avó, que teve uma overdose de remédio para dormir alguns anos depois. Na minha família a coisa é meio genética, a depressão vem de muitas gerações.

• E como você lida com este problema atualmente?

» Clarice - Por um lado é muito triste, minha mãe passou por muitas coisas. Por outro lado, eu tive muito suporte, não só de diagnosticar. Tem muita gente que tem isso e a família diz que é drama, corpo mole e não tem o mesmo suporte que eu tive.

Foto: Pedro Pinha/Divulgação

 • Depois de tanto excesso, o que o CD ainda reserva?

» Clarice - Mais excessos (risos)! Aqui eu concluo essa temática com Só + 6, faixa que descreve perfeitamente a ansiedade constante da geração das millenials. E finalizando está Tem Conserto, faixa-título que traz um sopro de esperança com base que evoca a escola britânica de produção eletrônica.

• Há ainda outras composições, como Dia D, em que você resgata o bom-humor pelo qual é conhecida. É isso mesmo?

» Clarice - Gosto de brincar com a energia libertária do sexo como compensação às frustrações cotidianas do pós-capitalismo. O humor tem um lado que é uma proteção, se você fala tudo com certa ironia, não está totalmente vulnerável. Neste disco eu tentei estar vulnerável indo um pouco além a faixa seguinte é CDJ, que eu descrevo o amor repentino por um ou uma DJ sobre a base mais dançante do álbum, marcada pelos graves oscilantes de sintetizadores em contraponto ao meu timbre doce da voz.

Foto: Pedro Pinha/Divulgação

• Como foi a parceria com Lucas de Paiva neste trabalho?

» Clarice - Este novo disco é fruto de um processo de descoberta mútua entre eu e ele, com resultados inéditos para nós dois: de um lado ele com as infinitas possibilidades musicais da produção eletrônica, de outro eu que gosto muito de batidas e sons sintéticos.

• Agora falando sobre o show de lançamento em Porto Alegre, o que você pode adiantar?

» Clarice - No palco a formação é diferente – tem três teclados, vai ter uma releitura, mas estou tomando muito cuidado. Vai ter bastante coisa dos discos antigos, porque o novo é curtinho, são só nove músicas. Além dos teclados, estamos cogitando alguém para a bateria eletrônica. Este show vai ser mais divertido, porque tem muita música de pista. É um disco que, apesar de falar de temas pesados, tem muitas músicas para dançar. Não tenho a menor vontade de ficar séria e eu gosto muito de brincar no palco.

Foto: Pedro Pinha/Divulgação

• Quais as lembranças que você tem do público gaúcho?

» Clarice - Gosto muito de tocar no Opinião, das pessoas empolgadas. O lançamento do CD vai começar em Juiz de Fora, depois vai passar por São Paulo, Rio, Belo Horizonte e encerra esta primeira fase aí, queria muito isso pela energia dos gaúchos. Depois ainda quero seguir para Norte e Nordeste do Brasil e para Portugal, lá o Porta dos Fundos também fez muito sucesso.

• Já que você comentou, algum projeto de humor à vista?
» Clarice - Sim, acabou de sair a série Shippados, disponível no Globoplay. Gravei concomitante ao CD. Agora paro um pouco por causa da turnê, mas depois terei outros projetos.

• Serviço •

» O quê: Show de lançamento CD Tem Conserto
» Quando: dia 2 de agosto , às 21 horas
» Onde: No Bar Opinião  (Rua José do Patrocínio, 834, em Porto Alegre)
» Quanto: os ingressos para o show já estão à venda por valores entre R$ 45 (mediante doação de 1kg de alimento não perecível), R$ 40 (estudante e idoso) e R$ 80 (inteira). As entradas podem ser adquiridas pelo site Sympla, além dos pontos de venda físicos nas lojas Multisom do Shopping Iguatemi e da Rua dos Andradas, também na Up Idiomas da Avenida Getúlio Vargas.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade