- Decoração -

A ARQUITETURA QUE EMOCIONA DE GREISSE PANAZZOLO

28.09.2020 por Bruna Kirsch

É com imensa dedicação, dom e sensibilidade que a arquiteta Greisse Oliveira Panazzolo, 36 anos, desenvolve projetos com o poder de emocionar. “Acredito que eu e a arquitetura temos muito em comum. Somos muito visuais e gostamos de encantar e gerar emoções”, aponta.

Foto: Denise Wichmann/Divulgação Ela confessa que não poupa esforços para recepcionar bem amigos e convidados em sua casa: “Eu me preocupo como se fossem clientes. Gosto que sintam um cheiro especial, escutem uma música... Que entrem naquela atmosfera”. Além disso, a profissional afi rma ser muito apegada ao belo e ao criativo: “Tenho personalidade forte e sou muito detalhista em tudo. E a minha arquitetura também tem uma personalidade marcante, com traços bem definidos”. Ela acredita que a Greisse criativa na arquitetura é uma pessoa muito inquieta por novidades, que não gosta do óbvio. “Sou sedenta por conteúdos, coisas novas e materiais. Sempre querendo criar uma sensação diferente no cliente, de ele nunca esperar receber o projeto daquela forma.”

TRAJETÓRIA

Apesar de ser fi lha de uma arquiteta, ela descobriu a sua vocação em uma viagem para Milão. “Até o Ensino Médio eu queria ser dentista. Mas em 2000 fui visitar meu pai, que estava morando em Milão, e lá tive um contato mais estreito com a arte, o design e a arquitetura. Ficava observando os estudantes pelas ruas e voltei superempolgada”, lembra. Então, em 2002 ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo na Unisinos e, em 2003, resolveu voltar à Itália, onde permaneceu por 8 meses. “Apesar de estar no início da faculdade, aproveitei que meu pai ainda estava lá e fui para estudar italiano e também para participar de algumas aulas na Universidade Italiana Politecnico Di Milano. Naquele ano fui ao Salone Internazionale del Mobile, o que me ajudou a absorver esse mundo do design”, diz.

ARQUITETURA NA ATUALIDADE

Greisse acredita que a arquitetura é uma das grandes responsáveis pela conscientização das pessoas quanto à sustentabilidade do nosso planeta. “Penso que sustentabilidade é um luxo, é algo necessário e nós, arquitetos, somos os grandes responsáveis por começar e plantar essa semente, transformando nossos lares em ambientes mais sustentáveis e éticos”, afirma.

A especialista reforça que o seu papel é conscientizar as pessoas e proporcionar bem-estar, fazendo com que espaços públicos ou privados sejam transformadores. “Eu vi muito sobre isto em um curso que fiz recentemente, sobre a diferença entre o eco e o ético. Eco é o sustentável e o ético é o passo a mais, é o estepe mais alto. Além da responsabilidade ambiental, tem que ter a responsabilidade social”, defende.

EQUILÍBRIO

O sonho da arquiteta é ter uma equipe que consiga cada vez mais “ler os seus pensamentos”. “Que eu possa contar com um time que perdure por bastante tempo, fiel, produtivo e feliz”, aponta. Um dos seus propósitos, daqui para frente, é trabalhar com projetos que levem mais signifi cado para a sua vida e das pessoas que trabalham com ela.

Além disso, Greisse sonha em conseguir equilibrar todos os aspectos da vida: família, trabalho, lazer, amigos, saúde e bem-estar. “Isto é uma das coisas mais difíceis para mim. Gostaria de me sentir plena na profissão, como esposa, como mulher, como mãe e como amiga. Espero conseguir esse equilíbrio para me dedicar um pouco mais a mim e para que o meu escritório consiga produzir de forma mais independente. ”Apesar disso, acredita que família e arquitetura se conectam: “Um arquiteto está sempre trabalhando. Quando estamos em um lugar legal eu observo, anoto, quando vou a lojas presto atenção em expositores, iluminação... O segredo é conseguir unir lazer, família e trabalho, e fazer com que se conectem”.

NO FUTURO

Greisse revela ter planos de crescimento para o seu escritório. “Nos próximos dez anos, eu enxergo o escritório com grandes obras. Já estamos com projetos superbacanas, mas eu gostaria de enxergar obras mais significativas e expressivas, de âmbito nacional e até, quem sabe, internacional. Gostaria de ter experiências fora do Brasil, para conseguirmos aprender sobre outras culturas, outros meios e formas de se viver”, afirma.

OBRAS QUE EMOCIONAM

RAÍZES

Foto: Marcelo Donadussi Este living é um projeto que a arquiteta se orgulha de ter conseguid incorporar à tendência do design biofílico, com o uso de materiais naturais, fibras, lâminas de madeira e vegetação: “É a tendência de trazer o verde para dentro de casa. Observamos que o uso desse tipo de material consegue mudar o ânimo e o humor das pessoas e ainda criar sensações”, conta Greisse. O conceito do projeto era trabalhar com as cores que viessem da terra, já que o cliente queria fugir da paleta do cinza. “Ele desejava essa conexão com a natureza, por isso nos voltamos para os tons terrosos e o uso da própria fibra natural. Aliás, por ser natural, tivemos que aprender a trabalhar com ela, e o cliente precisou aceitar a condição do material e entender que está aí a beleza do imperfeito, outro pilar do luxo que gosto de sustentar”, completa.

Greisse também ressalta que fi ca feliz pela oportunidade de utilizar elementos e objetos de designers brasileiros, como cascas e sementes do Cerrado Mineiro (desidratadas e tingidas), pela designer Yana Coelho; peças do Ricardo Oliveira; banquetas do Luan Del Salvio; luminária do André Ferri e poltronas do Guto Índio da Costa. Além disso, conta que os revestimentos do banheiro, a banheira e os metais, bem como o piso e o revestimento de uma das paredes do living foram da Dimosaico.

HAI

Foto: Marcelo Donadussi Outro projeto que emociona Greisse é o do Hai Sushi Lounge Bar, de Novo Hamburgo. “Este foi extremamente desafiador no budget e no prazo, e o resultado ficou muito interessante. Eu me orgulho, porque a gente desenvolveu esse projeto em parceria com o Studio Colnaghi e foi preciso criar um método de trabalho entre as duas equipes. Como o tempo era curto, tivemos que ‘rebolar’ para unir o budget, o design e a colaboração entre os dois escritórios”, conta  aarquiteta.
Segundo Greisse, a escolha dos materiais do projeto não foi tão “poética”, mas mais pé no chão. “Optamos por eleger alguns elementos que fossem nossos pilares: a pedra natural verde e o mármore Guatemala. Trabalhamos muito forte o conceito do ‘wabi-sabi’, que significa a beleza do imperfeito. Por isso, fizemos paredes descascadas com o objetivo de obter um efeito legal com iluminação. Alguns dos materiais que mais curti trabalhar foram as pedras de basalto irregular nas bancadas do bar, que causaram um efeito muito bacana”, comenta. Ela aponta que as madeiras já existentes no local foram reaproveitadas. “Fizemos acréscimos para criar aconchego e também incluímos vegetação para trazer calor ehumanização ao ambiente”, finaliza.

ALMA-ME

Foto: Marcelo Donadussi Como o nome sugere, “este foi um projeto repleto de alma e de significados”, aponta Greisse. Desenvolvido em 2019 para a Mostra Glass Home, de Novo Hamburgo, a arquiteta buscou trabalhar com as sensações. “As pessoas entravam no ambiente e diziam: ‘uau’. Tinha um cheiro maravilhoso e uma música que envolvia. Conseguimos criar muita coisa ali. Pensamos na iluminação, nos materiais, na composição e nos mínimos detalhes. Por ser uma mostra, temos um pouco mais de liberdade, e eu consegui transmitir ali a minha essência”, revela.

Greisse lembra que uma das suas melhores escolhas para esse projeto foi a pedra da bancada da cuba da pia. “Ela foi toda esculpida para dar a sensação do inacabado e do imperfeito”, diz. A fim de transmitir um ar “celestial” à suíte, a arquiteta optou pela utilização de cores claras e trabalhou também com a transparência e com o acrílico. “Para dar um pouco de sofisticação, usamos metais banhados na cor dourada.” Ela ainda revela que aproveitou a arquitetura antiga da residência que sediava a mostra para fazer uma analogia à idade da casa, à casa da vó: “Por isso, utilizamos na cabeceira uma estrutura metálica com vidros martelados, bem daquela época. Já no piso, utilizamos vinílico com um recorte bem interessante. Assentamos de forma a fazer uma analogia com os parquets de antigamente”, diz.

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